Mais uma empresa desiste da Copel
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terça-feira, 09 de outubro de 2001
Carmem Murara<br> De Curitiba 
Um dia depois da empresa espanhola Endesa anunciar que não tem mais interesse em comprar a Companhia Paranaense de Energia (Copel), ontem foi a vez da norte-americana AES recuar. A diretoria da empresa fez um comunicado pela manhã dizendo que não teria mais interesse em participar do leilão, que está marcado para 31 de outubro, na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. A empresa não divulgou o motivo que a fez desistir. Informações extra-oficiais eram de que a alemã RWE também teria declinado, mas não houve confirmação.
A AES é a maior companhia mundial do setor de geração e distribuição de energia elétrica e, por isto, era considera uma das potenciais compradoras da Copel. Ela possui negócios em 28 países e tem em andamento outros investimentos em 40 países. Seu capital está avaliado em US$ 35 bilhões.
No Brasil, a AES já participou de dois processos de privatização, mas há três anos está sem adquirir novas estatais brasileiras. Ela comprou em 1998 a Eletropaulo e a Cesp/Tietê, em São Paulo, e em 97 arrematou a Companhia Centro-Oeste de Distribuição de Energia Elétrica (da CEEE), no Rio Grande do Sul.
A desistência da AES ainda não está sendo contabilizada pelo governo do Estado, apesar de já ser confirmada pela empresa. A assessoria da AES informou ontem que a companhia está mesmo fora do processo. Com a AES, as maiores empresas do setor de energia no mundo já manifestaram o desinteresse em comprar a Copel. A francesa EDF foi a primeira a desistir no mês passado, seguida pela Endesa.
Os coordenadores do processo de privatização da Copel e os responsáveis pelo ''data room'' (sala de dados sobre a companhia) aguardam um comunicado oficial da AES e da Endesa. ''O fato de elas visitarem o data room não significa que haja um compromisso de participar do leilão'', justificou ontem o secretário da Fazenda e presidente da Copel, Ingo Hubert.
Ainda estão no páreo as empresas Hydro Quebec (Canadá), a Tractbel (Bélgica), as norte-americanas NRG e Duke Energie, a RWE (Alemanha) e a Enel Power (Itália). O consórcio brasileiro VBC (Votorantim, Bradesco e Camargo Corrêa) também demostrou interesse.
O governo pretende vender todas as ações que possui na Copel. Serão vendidas ainda as ações de posse do BNDES e dos minoritários. O preço mínimo para o leilão da Copel é de R$ 4,324 bilhões.


