O administrador de empresas Nilo Jorge Morishita prestou depoimento ontem para a juíza Oneide Negrão, da 5ª Vara Criminal do Fórum de Londrina, sobre formação de cartel nos preços da gasolina e constrangimento de testemunhas. Ele teve a prisão preventiva decretada em novembro, acusado de fazer parte de um grupo de donos de postos que vinha forçando a adoção de preço único para o combustível na cidade.
Morishita passou mais de três meses foragido. Ele se apresentou à Justiça semana passada e está detido no 2º Distrito Policial. A denúncia contra o grupo foi feita pelo dono do posto Manancial, Ilson Gomes. Em seu depoimento, Morishita afirmou não ser dono do Posto Morishita, o qual pertence à sua irmã Maria Aparecida e ao cunhado Adalto Alves. Ele informou que apenas ajudava na administração do posto e exercia a função de tesoureiro do Grêmio Recreativo Londrinense, recendo R$ 1.125,00 por mês pelo trabalho. No Posto, segundo o advogado Sérvio Borges, o salário de Morishita era de R$ 500,00.
O administrador disse, no depoimento, que no dia 7 de julho do ano passado passava em frente ao posto Manancial quando viu uma camionete branca Dakota, pertencente à Reginaldo Monteiro, também dono de posto. Resolveu parar, mas antes de chegar até Monteiro e um grupo de pessoas (ele não cita os nomes), viu Ilson Gomes entrar no pátio do estabelecimento com um Jipe, que quase o atropelou.
Em seguida, Ilson Gomes teria seguido em direção ao grupo e iniciado uma discussão com Reginaldo Monteiro. Ao ver a situação, ele teria voltado para seu carro e ido embora. Ele também afirmou ter participado de uma reunião da Associação dos Revendedores de Combustíveis (Arcom), mas que não fazia parte da diretoria da entidade. Os diretores da Arcom estão sendo acusados de formação de cartel.
O advogado Sérvio Borges já apresentou o pedido de revogação da prisão de Morishita. ‘‘Espero conseguir tirá-lo da cadeia ainda esta semana’’, disse ele. Sete donos de postos tiveram a prisão preventiva decretada. Faltam se apresentar Reginaldo Monteiro, Ismael Anselmo e Marcos Surian.

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