MAIS TRABALHO - Indústria tem melhor resultado em 15 anos
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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2005
Jacqueline Farid<br>Agência Estado 
Rio - O mercado de trabalho industrial acompanhou o vigor do setor em 2004 e fechou o ano com resultados recordes no crescimento de ocupados e do rendimento dos trabalhadores. No ano passado, o emprego na indústria cresceu 1,9% ante 2003, o melhor resultado anual desde 1989, quando o crescimento foi de 2,1%. A folha de pagamento real registrou aumento de 9%, o maior desde 1993.
Apesar dos bons resultados acumulados no ano, os dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram desaceleração do mercado de trabalho na margem (dados mais recentes). A ocupação registrou queda de 0,3% em dezembro ante novembro, o que a economista Isabela Nunes Pereira, da coordenação de indústria, interpreta como um sintoma de que o mercado de trabalho refletiu a ''acomodação'' do setor diagnosticada no último trimestre do ano.
Esta análise é compartilhada pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), cuja avaliação, em relatório sobre os dados do IBGE, é que ''se considerarmos o último trimestre do ano, a trajetória recente do emprego preocupa, tanto quanto a desaceleração que também se verificou no curso da produção industrial nesse mesmo período''.
Mas, segundo Isabela, essa possível acomodação ''não anula os resultados positivos de 2004, ano em que o emprego respondeu a um quadro econômico muito favorável, com exportações recordes e aumento muito forte das vendas do varejo''. Segundo ela, os dados do varejo em dezembro (11,4% de crescimento nas vendas ante igual mês de 2003) mostram que os estoques no comércio estão baixos, o que deverá gerar novas encomendas para a indústria, impulsionando a produção e, em consequência, o emprego industrial.
Para o Iedi, ''a expectativa de que o emprego industrial venha a repetir em 2005 a boa performance do ano passado depende do prosseguimento da recuperação da economia brasileira''. A instituição alerta que o crescimento industrial, mesmo tendo sido intenso em 2004, ainda não chegou aos setores mais empregadores, como vestuário e calçados. ''Mas, se esses setores forem envolvidos, teremos um grande incentivo para a evolução do emprego, mesmo na hipótese de que a indústria geral venha a registrar em 2005 um crescimento inferior ao do ano passado''.
Isabela observou que os segmentos que apresentaram maior aumento do emprego em 2004, como máquinas e equipamentos (14,1%) e alimentos e bebidas (mais voltados para exportação, 3,7%) estão também entre os que mais impulsionaram a produção do setor no ano passado. Entre as regiões, São Paulo, que responde por 38% do emprego industrial, aumentou o número de vagas em 1,5% em 2004 e representou o maior impacto positivo para o mercado de trabalho do setor.
A folha de pagamento real (descontada a inflação) da indústria também desacelerou no final do ano, apesar dos bons resultados acumulados. Isabela disse que as três quedas consecutivas ocorridas (outubro, novembro e dezembro) na folha ante mês anterior podem ter sido provocadas por contratações em setores que pagam salários mais baixos.
FORMAL - O Cadastro Geral de Emprego e Desemprego (Caged) aponta aumento de 15% na geração de empregos, em relação a janeiro de 2004, com a criação de 115.972 postos de trabalho formal. Nos últimos 12 meses, o total é de 1,539 milhão de postos. O comportamento favorável envolveu todos os setores, com destaque para o de serviços (mais 54,5 mil empregos) e a indústria de transformação (mais 32,8 mil).
Houve expansão no nível de emprego em todas as grandes regiões - no Sudeste, foram 65,6 mil novos postos e no Sul, 36,8 mil. Entre os estados, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Minas Gerais registraram os mais altos índices. Berzoini destacou ainda que o crescimento do número de empregos em nível nacional esteve próximo do índice registrado nas regiões metropolitanas.


