Mais sorte do que juízo
PUBLICAÇÃO
sábado, 05 de janeiro de 2002
Oswaldo Petrin 
Bons momentos 1. O ambiente econômico externo - crise argentina à parte -, e a estabilidade interna reúnem as precondições para que Conselho de Política Monetária (Copom) reduza a taxa do juro básico em pelo menos 0,5 ponto porcentual, caindo dos atuais 19% para 18,5%. A reunião do Copom é mensal e a expectativa é que a redução dos juros ocorra ainda em janeiro.
É mínimo, mas é psicológico e, se houver um pouco de ousadia, essa redução pode prenunciar o início de um afrouxamento das amarras da política monetária, no pior sentido.
Bons momentos 2. Quarta-feira a imprensa divulgou o saldo da balança comercial do ano que aponta um superávit de US$ 2,643 bilhões. Não ocorria desde 1994 e foi puxado pelo bom desempenho do agronegócio. As exportações de produtos vegetais e animais passaram de cerca de US$ 14 bilhões em 2000 para mais de US$ 18 bi no ano passado.
Somando todos os itens o Brasil exportou US$ 58,2 bilhões (US$ 55 bi em 2000). A própria secretária de Comércio Exterior, Lytha Spindola, creditou mérito ao agribusiness pela alavancagem nas exportações.
Para um ano de solavancos, o Brasil foi bem, como mostram outros indicadores. (excluindo os indicadores sociais, que são de pôr medo).
Bons momentos 3. O Brasil conseguiu, muito mais por sorte do que por mérito, safar-se da explosão cambial que começou oscilar fortemente já no ano passado, saindo, em outubro, de pouco mais de R$ 1,80, para uma relação de R$ 2,85/US$ 1,00, em outubro último, quando preço do dólar começou a declinar. Isto em plena fervura da economia norte-americana e mundial, em tempo de guerra.
Muita sorte teve o Brasil, um país que não soube sequer planejar o abastecimento de energia elétrica no médio prazo de cinco anos. Quando o apagão parecia fazer um estrago na economia, eis que quase tudo se recompôs, com apoio dos consumidores.
Voltando aos juros básicos que dão parâmetros para os juros praticados no mercado - aquele que boicota o consumo. Não há motivo externo ou interno para manutenção da taxa em 19% como reconhecem renomados economistas. Os juros poderão cair ainda mais nos próximos meses, mas a opção do Copom por uma redução, por menor que seja, neste momento, pode sinalizar o início de uma redução gradual, encorajada também por queda, esta semana, nas taxas do mercado futuro.
Além disso, estamos ainda no começo do período tradicionalmente recessivo em que o governo não precisa se preocupar em reduzir o consumo para manter a ferre fome sua política contra inflação.


