O rendimento da população ocupada mais pobre (considerando os 10% que recebem os menores salários) já acumula uma perda de 14,8% no ano de 1997. Maio foi o quinto mês consecutivo de queda no rendimento desta parcela dos ocupados, segundo a pesquisa Seade/Dieese. Em dezembro de 1996, o valor máximo pago a este grupo era R$ 177 e em maio passado chegou a R$ 151, considerando valores ajustados para maio deste ano. A perda entre abril e maio foi de 0,6%.
Na média, o rendimento dos ocupados (toda a população ativa) da Grande São Paulo caiu 2,7% no ano, dos quais 1,3% apenas entre abril e maio passados. O ganho dos assalariados (que considera as pessoas empregadas com ou sem carteira e exclui autônomos) está se mantendo estável e com menos perdas do que o rendimento dos ocupados. Na média, os assalariados mantém o mesmo salário de dezembro passado (alta de 0,1%), enquanto os assalariados mais pobres (10% que ganham menos) estão com uma perda de 3,2% no ano de 1997. Em maio, o salário médio real caiu 1,1%, enquanto o salário máximo pago aos 10% mais pobres permaneceu estável em comparação ao mês de abril.
As perdas salariais de 1997 estão diminuindo o ganho salarial acumulado nos últimos 12 meses. O rendimento dos ocupados situados no grupo dos 10% mais pobres havia subido cerca de 8% entre maio e dezembro do ano passado. Para este grupo, a queda deste ano eliminou todo o ganho obtido pela população mais pobre em 1996. Para o total do ocupados, a comparação entre o salário de maio deste ano e aquele pago no mesmo mês do ano passado mostra que ainda existe um ganho de 2,7%. Para a média de todos os assalariados, o ganho salarial ainda é de 3,6% nos últimos 12 meses.
Para o diretor-tecnico do Dieese, Sérgio Mendonça, esse comportamento dos salários está associado a mudança na qualidade do emprego, pois a oferta de vagas está crescendo nas contratações sem carteira e no trabalho autônomo, especialmente no setor de serviços. O setor de serviços, diz ele, paga em média menos do que a indústria. Em maio, por exemplo, o rendimento médio pago aos ocupados na indústria foi de R$ 909, enquanto serviços pagou uma remuneração média de R$ 779 e o comércio, R$ 626.
Além da composição do emprego, também as negociações salariais feitas pelos sindicatos estão interferindo na queda dos rendimentos. ‘‘No ano passado, mais de 50% dos acordos salariais não conseguiram repor toda a inflação acumulada’’, observa Mendonça. Outra razão apontada pelo economista é o nível de atividade. ‘‘Quando a economia cresce, há emprego para todo mundo e quando a situação é de desaquecimento, como agora, há muita disputa por uma vaga e os salários tendem a cair’’, explica. Como a ocupação cresceu nos últimos 12 meses, a massa de rendimentos dos ocupados mostra aumento de 5,5%, enquanto a dos assalariados está 2,9% maior.

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