Andreu Dalmau/AFPPedido de socorroO presidente do BID, Enrique Iglésias, o presidente da Nicarágua, Arnold Aleman, e o rei Juan Carlos: recursos do banco que sustentam reformas estruturais de 5 países latinos estão se esgotandoOs cinco países mais pobres da América Latina pediram ‘‘justiça financeira’’ urgente ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), temendo o esgotamento total dos recursos que sustentavam suas reformas estruturais.
Estes recursos, que acumularam até 9 bilhões de dólares no Fundo para Operações Especiais do BID, estão se esgotando e se não for feita uma reposição do capital desaparecerão antes de 1999. Essa reposição de urgência foi calculada em 200 milhões de dólares para quatro anos, mas não houve acordo em Barcelona.
Essencialmente, estes fundos são destinados à Bolívia, Guiana, Haiti, Honduras e Nicarágua, que têm um acesso extremamente limitado ao mercado internacional de capitais, uma porcentagem de investimentos anuais de 1.000 dólares per capta e altos níveis de dívidas
‘‘Já terminou o prazo’’ para a reposição, segundo Maria Antonieta Bonilla, Diretora Executiva do Banco para a América Central, revelando que só 30 milhões de dólares estão disponíveis para a Nicarágua e outros 96 milhões para Honduras.
A América Latina em bloco apóia o aumento de capitais, mas os Estados Unidos e o Japão - os dois pilares básicos do Fundo - exigem que todos os países latino-americanos participem no co-financiamento e que o BID contribua também com parte dos investimentos.
Diante das inúmeras divergências, o tema pode sair da agenda das reuniões plenárias do BID, refugiando-se nos corredores dos Congressos. Os países beneficiados com estas simples doações ou créditos a juros baixos pedem justiça.
Em reuniões paralelas acertaram buscar um ‘‘caminho de entendimento’’ visando uma reunião da Junta de Governadores (Ministros) do BID, em junho próximo em Washington, que estudará a reposição de fundos.
O presidente do BID, Enrique Iglesias, disse ter participado ontem de uma reunião ‘‘muito positiva’’ com os ministros da Fazenda da Argentina, Brasil, México e Venezuela sobre a estratégia comum a seguir e anunciou a elaboração de um documento sobre a ampliação do capital do Fundo e o preço a ser pago pelos países beneficiados pelos fundos.
Iglesias reconheceu os ‘‘problemas’’ que o tema provocou em Barcelona e os esforços realizados, afirmando que ‘‘não é impossível’’ alcançar um acordo. ‘‘Não hoje, mas em junho.’’
O documento que determinará o montante e as responsabilidades dos países doadores será analisado pela Junta de Governadores do BID.
O ministro mexicano Guillermo Ortiz disse que na reunião com Iglesias houve ‘‘um avanço muito importante’’ sobre a solidariedade que deve existir por parte do BID para ajudar seus países-membros que precisem de auxílio financeiro. Os ministros da Argentina, Brasil e Venezuela concordaram com Iglesias e Ortiz.
Ortiz disse que no documento se estabelecerá o montante de capital necessário, as necessidades anuais e as responsabilidades entre doadores e beneficiados.
Antes destas reuniões, os países latino-americanos fizeram campanha para que o Japão assumisse a responsabilidade pelo aumento do capital do Fundo, mas os japoneses se negaram alegando a necessidade de uma participação compartilhada, posição apoiada pelos Estados Unidos.
Quando o Fundo foi criado - pouco depois da fundação do BID, em 1959 -, os Estados Unidos colocaram 100% do capital, mas na oitava reposição de capitais, em 1994, participou só com 50%, deixando o restante para os outros 45 países-membros do BID, com diferentes porcentagens de participação.
Um menu de 19 opções figura na forma de conseguir os fundos adicionais, mas o tema ficou num ‘‘impasse’’: Japão e Estados Unidos se negam ao aumento e os beneficiados não aceitam que o BID transfira ao fundo o fruto dos investimentos, como proposto pelos doadores, porque aumentaria os juros dos créditos concedidos.
‘‘Esperamos que o Fundo tenha um financiamento adequado sem a necessidade de recursos adicionais’’, disse Ronald Scheman, diretor executivo dos Estados Unidos no BID, indicando que anualmente se pode economizar de 30 a 40 milhões de dólares reduzindo o montante de capital do Fundo previsto no orçamento do BID. Hoje, o Fundo constitui 26% do orçamento do Banco e seus créditos representam só 5% do total dos empréstimos do BID, destacou.
O Diretor Executivo do Japão, Yukio Saruhashi, compartilha a posição norte-americana e, referindo-se à diminuição dos orçamentos governamentais norte-americanos, japoneses e europeus, disse que os ‘‘doadores tradicionais estão passando agora por situações difíceis para fazerem novas contribuições’’.
‘‘Não concordamos que o apoio ao Fundo represente um aumento dos investimentos’’ para os países beneficiados, disse Humberto Petrei, Diretor Executivo do BID para a Argentina e Haiti.

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