''Hoje estamos perto do limite? Sim'', afirma o superintendente de empréstimos às pessoas físicas do Banco Santander, Rogério Estevão. ''Mas há um segredo no Brasil: outras pessoas serão incorporadas ao mercado de crédito nos próximos anos'', completa.
O argumento do executivo toma por base a forte ascensão social dos últimos anos. Ele lembra que, em 2003, as classes D e E (que quase não têm renda disponível para endividar-se) totalizavam 55% da população. A projeção do banco é de que, em 2014, esses dois segmentos da pirâmide caiam a 28% da população.
Em números absolutos, está se falando de 40 milhões de pessoas. ''Quem não se endivida hoje passará a se endividar'', conclui Estevão. ''Frise-se que isso não quer dizer entrar pelo cano. Ter crédito significa ter acesso a consumo.''
A economista Mirela Scarabel, da LCA Consultores, também demonstra otimismo com as perspectivas para a concessão de empréstimos no País. Em primeiro lugar, porque a renda deve continuar crescendo nos próximos anos. Em segundo, porque os prazos de financiamento continuarão aumentando - em 2008, o prazo médio dos empréstimos às pessoas físicas era de 469 dias, ante 536 dias em agosto deste ano.
Por fim, Mirela acredita, como a maioria absoluta dos analistas, que a tendência para as taxas de juros no País é decrescente. Do ponto de vista macroeconômico, a avaliação é amparada na expectativa de queda para a taxa básica (Selic), hoje em 10,75% ao ano.
Mas há, também, dois fatores de mercado: modalidades mais ''baratas'' estão ganhando cada vez mais espaço, como o crédito imobiliário, o consignado e para aquisição de veículos, e a competição entre as instituições financeiras tem crescido fortemente.
''A expansão futura depende de essas condições se confirmarem'', observa a especialista. A relação crédito/PIB no País dobrou entre 2004 e 2010. A LCA produz um indicador semelhante ao do Banco Central, mas inclui no cálculo outros componentes da renda (como dinheiro proveniente de aluguel). A conclusão é de que o comprometimento da renda encerrou agosto em 16,8%, praticamente no mesmo nível dos Estados Unidos.
Cautela
O gerente de indicadores de mercado da Serasa Experian, Luiz Rabi, e o analista de instituições financeiras da agência de classificação de risco Austin Rating, Luís Miguel Santacreu, são mais cautelosos.
''O nível de comprometimento da renda pode ser uma barreira à expansão do crédito'', afirma Rabi. Para Santacreu, ''o elevado comprometimento da renda pode deixar o devedor vulnerável''. (L.M./AE)

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