Curitiba - A prática de andar com o peso do carreto acima do tolerado pela legislação brasileira está encurtando a vida útil das rodovias brasileiras. O problema é apontado por profissionais e técnicos da área, que creditam ao excesso de peso nos caminhões o alto custo de manutenção das rodovias no país. ‘‘No Brasil as estradas não são estragadas pela chuva, pelo sol. São estragadas pelo excesso de carga dos caminhões’’, alerta o deputado federal Marcelo Almeida (PMDB).
  Mesmo quando o excesso não é significativamente superior ao limite, o estrago é vísivel, diz o engenheiro civil e professor do Departamento de Transportes da Universidade Federal do Paraná, Djalma Martins Pereira. ‘‘O impacto tem projeção exponencial em relação ao excesso de cargo’’, explica.
  É o que se convencionou chamar de ‘‘Lei da 4ªPotência’’. ‘‘A cada 1% de excesso de peso, você diminui em 4% a vida útil do pavimento. Isso porque o asfalto é calculado para suportar o que está previsto em lei’’, aponta Cesar Sass, gerente de operações da Autopista Litoral Sul, concessionária responsável pelo trecho da BR-376 e BR-101 entre o Paraná e Santa Catarina.
  Na prática isso significa que os 7,5% de tolerância no peso bruto por eixo previstos pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) já causariam redução de um terço na vida útil das rodovias brasileiras. Por determinação do Contran, a tolerância para peso bruto entre eixos, que é de 7,5%, irá ser reduzida para 5% no fim do ano.
  A redução, no entanto, pode perder o efeito caso o projeto de lei 3833/2008 do deputado federal Valdir Colatto (PMDB/SC) seja aprovado. A proposta faz uma alteração na lei 7.408/1985, conhecida como a ‘‘Lei da Balança’’, aumentando para 10% da tolerância de limite de peso bruto entre eixos.
  Segundo Colatto, a maior tolerância visa evitar que os caminhoneiros sejam multados por conta da margem de erro da balança. ‘‘Testes comparativos realizados entre os resultados apresentados por balanças móveis e fixas demonstraram que existe uma diferença substancial de até 5% entre as pesagens nos dois tipos de balanças’’, afirma o parlamentar na justificativa do projeto.
  O argumento não encontra alento nos profissionais da área. ‘‘Os equipamentos de pesagem não tem mais de 1% de margem de erro. O Instituto de Pesos e Medidas (IPEM) trabalha com a margem de 1%, mas a maioria dos equipamentos mais modernos fica abaixo disso’’, diz Claudio Machado, superintendente de Operações da concessionária Viapar.
  A Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC & Logística) é favorável a iniciativa do deputado. ‘‘É difícil para o caminhoneiro, que não tem balança, conseguir arrumar a carga para evitar o excesso no eixo. Porque em geral, as balanças das transportadoras, são de peso total, não de eixo’’, defende o coordenador técnico da NTC & Logística, Neuto Gonçalves dos Reis.
  Segundo Reis, o maior problema para os caminhoneiros é conseguir organizar cargas difíceis de distribuir. ‘‘O transporte de madeira é um exemplo de carga que pode dar problema. Há cargas que se acomodam durante o trajeto e mesmo que o veículo esteja com o peso dentro do limite, pode dar excesso no eixo’’, diz.

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