Mais perdas na região de Curitiba
PUBLICAÇÃO
sábado, 06 de fevereiro de 2010
Carlos Eduardo Kiatkoski<br> Especial para a FOLHA 
Estradas arruinadas, barreiras caídas, campos antes verdes de hortifruti hoje não passam de amontoados de terra revirada. Esse cenário representa a região metropolitana de Curitiba, mais especificamente o chamado cinturão verde da capital. A região antes responsável pelo abastecimento de verduras não passa de uma terra arrasada.
A feirante Eliane Dunaisk e outras quatro pessoas de sua família vivem da produção de sua pequena propriedade em Almirante Tamandaré. Segundo a agricultora a produção em sua propriedade foi totalmente afetada. As fortes chuvas dos últimos meses destruiu parte de sua produção e a parte que pode ser aproveitada está muito abaixo do que estão acostumados a vender na feira. ''Uma senhora na feira até me perguntou: você não tem vergonha de pedir R$ 0,50 neste rastolho? Como se a culpa de ela estar assim fosse minha'', lamenta.
Os prejuízos causados pelas fortes chuvas ainda não foram contabilizados e a resposta para isso é simples: não querem desanimar. ''Não quero pôr no papel as perdas que tive, se não vou acabar não plantando mais'', comenta Eliane. A pequena propriedade pertence a família à 58 anos, herança do avô que veio da Polônia e ganhou as terras do governo.
Outra pequena propriedade rural, na mesma região, também registrou prejuízos porém, o proprietário Ozir Sandri, admite que suas perdas foram menores. ''Planto pouca coisa, não planto folhas verdes por exemplo, mas minha maior perda foi com o tomate que estava no fim da produção'', comenta. A produção de Sandri é basicamente voltada para abastecer sua barraca nas feiras. Outra parte, frutas em sua maioria, é comprada por ele nas Centrais de Abastecimento do Paraná (Ceasa).
Além das hortaliças - mais sensíveis as chuvas e agora à onda de calor - o feijão é outro produto que teve uma perda maior. Sandri estima que perdeu cerca de 40% da sua produção. As perdas não foram só na produção, há o fato do feijão colhido não ter a qualidade esperada, o que não vai ajudar muito na venda do produto. ''Espero que o preço compense um pouco as perdas, uma vez que a produção foi pequena'', diz Sandri.
É unânime a resposta dos agricultores procurados pela reportagem da FOLHA, a recuperação dos prejuízos será de até quatro meses, tempo de produção de mudas e plantio de novas hortaliças. Eliane Dunaisk comenta que somente após o inverno é que poderá retomar a produção, isso se o tempo ajudar. Os preços de algumas hortaliças já podem ser sentidos pelos consumidores. Para Marcos Andersen, diretor técnico do Ceasa-Pr, nas próximas semanas ainda será sentido o reflexo na alta dos preços de alguns produtos, como o tomate que teve sua safra devastada pelas chuvas.


