Os paranaenses estão mais inclinados a presentear neste fim de ano. Sondagem da Fecomércio PR em parceria com o Sebrae/PR mostra que 67,2% dos consumidores do estado pretendem comprar presentes de Natal em 2025. O índice supera o registrado no ano passado, quando 63,5% declararam a mesma intenção. Outros 18,4% ainda estão indecisos e 14,4% não pretendem gastar.

As mulheres aparecem levemente mais dispostas a comprar, com 68% de intenções positivas, enquanto entre os homens o percentual é de 65,3%.

A região Central, que abrange municípios como Guarapuava e Ponta Grossa, lidera o entusiasmo natalino, com 77,6% dos entrevistados planejando presentear. Em seguida aparecem Sul e Sudoeste (71,5%), Leste, RMC e Litoral (70,7%), Noroeste e Maringá (69,3%), Curitiba (68%), Oeste (62%) e Norte (56,6%).

A maior parte dos paranaenses (70,8%) pretende presentear até cinco pessoas. Outros 23,1% planejam adquirir itens para um grupo entre seis e dez, enquanto 6,1% devem oferecer lembranças a mais de dez pessoas.

Conforme analisa o coordenador de Desenvolvimento Empresarial da Fecomércio PR, Rodrigo Schmidt, no conjunto, a sondagem mostra que o Natal deve movimentar o varejo paranaense em um ambiente de consumo estável, com forte presença digital, tíquete mais moderado e escolhas guiadas por atributos de qualidade e confiança. “A pesquisa apontou crescimento na intenção de presentear neste Natal em nosso estado, sendo que a demanda se concentrará nos bens tradicionais e a tomada de decisão para a compra será baseada principalmente na qualidade do produto”, observa.

“Com relação ao local preferido para as aquisições, a internet tende a superar por uma pequena margem o comércio de rua. A modalidade de pagamento dominante será cartão de crédito parcelado, ou seja, o consumo atual tende a ser pago predominantemente com a renda futura”, complementa.

Tipos de presentes

Os itens de vestuário permanecem como a escolha mais frequente dos consumidores, com 61,1% das citações, embora tenham recuado em relação aos 68,5% registrados em 2024. Os brinquedos seguem estáveis, com 43,9%, enquanto a procura por calçados caiu para 18,8%. Perfumes e cosméticos também tiveram redução, passando de 23,2% no ano passado para 16,7% em 2025. Já as lembrancinhas e o artesanato mantiveram o patamar do ano anterior (10,6%), e os eletroeletrônicos caíram de 12,8% para 9,5%.

A coordenadora de Comércio e Serviços do Sebrae/PR, Suelen Pedroso, aponta que é importante que os pequenos negócios se programem para entregar o que há de melhor para os consumidores. “Algumas estratégias são fundamentais para criar conexão com o público, como conhecer o perfil do seu cliente, resgatar o relacionamento com os que já não compram com tanta frequência, além de se antecipar às tendências. Estabelecer parcerias com outras empresas para agregar valor e preparar a equipe são fatores necessários para alcançar resultados positivos”, comenta.

As mulheres têm maior propensão a comprar brinquedos (47% ante 40% dos homens) e lembrancinhas ou artesanato (14,3% ante 6,5%). Entre os homens, a compra de eletrônicos é mais intensa: 15,1%, contra 4,1% entre as mulheres.

Tíquete médio

O tíquete médio caiu 3,9% este ano e ficará em R$ 495,76. Os homens devem gastar mais, com média de R$ 554,58, enquanto as mulheres pretendem desembolsar R$ 431,87.

A região Oeste apresenta o maior tíquete médio, com gastos estimados em R$ 550,27 neste Natal. Também ficam acima da média estadual as regiões Leste (R$ 536,67), Noroeste (R$ 518,16) e Curitiba (R$ 501,28). Nas demais áreas, o valor previsto fica abaixo do tíquete do estado: Centro (R$ 486,74), Sul (R$ 465,48) e Norte (R$ 404,17).

Pela natureza do valor, as compras parceladas serão maioria, representando 52,5% das operações, com destaque para o cartão de crédito parcelado. Entre os pagamentos à vista (47,5%), o Pix lidera, seguido do cartão de débito e do dinheiro.

Local de compra

A internet será o principal canal de compra, escolhida por 48,2% dos consumidores, proporção que supera ligeiramente o comércio de rua, cuja soma entre lojas do centro e de bairro chega a 47,1%. A preferência pelo meio digital é mais acentuada entre os homens, com 51% de citações, contra 45,5% das mulheres. Já os shoppings devem concentrar cerca de 31,3% do movimento no fim de ano.

O comércio de rua permanece mais forte no Noroeste, onde representa 62,9% das escolhas. A mesma tendência aparece no Oeste, com 62,4%, e no Sul, com 62,1%.

Na região Central, a internet desponta como principal canal, mencionada por 53% dos entrevistados, movimento semelhante ao do Leste, com 52,8%. Em Curitiba, porém, os shoppings lideram de forma expressiva, com 55,9% das menções, superando inclusive a internet, que alcança 49%.

Período da compra

Boa parte dos entrevistados (39,9%) pretende adquirir os presentes na semana que antecede o Natal. Outros 29,6% vão às compras de oito a 15 dias antes da data e 20,3% se programam de 16 dias a um mês antes, inclusive 14,7% dizem antecipar as compras de Natal durante a Black Friday.

Fatores de influência

Antes de decidir, 81,7% dos entrevistados pesquisam preços, e a internet é o principal meio para isso, utilizada por 79,5% dos que comparam valores. No momento da compra, os fatores que mais influenciam são a qualidade do produto, com 21,5%, o atendimento do vendedor (16%), custo-benefício (14,6%) e preço baixo (13,8%).


Comércio de Londrina aposta no movimento do LondriNatal

Com o início do horário estendido desde quinta-feira (4) e a programação do LondriNatal distribuída entre o centro e polos comerciais da zona norte, lojistas e consumidores começam a projetar o ritmo das vendas de fim de ano na cidade. A expectativa é de maior circulação, ainda que as avaliações sobre o impacto direto nas vendas sejam diversas.

O corretor de imóveis João Vitor, 23, acredita que a decoração no calçadão deve atrair mais gente. Ele sugere que o espaço poderia receber mais quiosques, mas, pessoalmente, não pretende consumir muito neste fim de ano. “Eu vou guardar o 13º para quitar algumas dívidas. Logo chega o começo do ano, tem IPVA, material escolar das minhas filhas”, afirma.

Feirante e comerciante no centro, Tadeu Amélio da Silva, 48, avalia que a iluminação tende a aumentar o fluxo de pessoas, mas não garante conversão imediata em vendas. “As pessoas vão circular. Se vai movimentar o comércio, já não sabemos, porque tem o e-commerce. A AliExpress está prometendo entregar antes do Natal”, comenta. Sobre o 13º, admite não ter definido o destino: “Eu não gastei ainda, não sei o que eu vou fazer.”

Para a assistente administrativa Poliana Domingues Guerra, 34, a decoração deste ano ficou “simples”, especialmente se comparada aos bairros de maior padrão. Ainda assim, acredita que o centro segue sendo ponto de passeio de muitas famílias nesta época. Parte do décimo terceiro será usada para quitar contas. Ela espera que a roda-gigante, apesar do atraso na inauguração, ajude a atrair visitantes. “A população acaba indo ao centro para visitar e isso gera receita.”

A empresária Julie Bicas, da Juli Modas (plus size e gestantes), diz que 2025 tem sido um ano mais desafiador, especialmente pela concorrência das plataformas chinesas. “Nós tivemos um déficit nas vendas por conta disso”, relata. Segundo ela, a loja ampliou o mix de fornecedores para oferecer produtos com tíquete médio menor, mas o impacto foi limitado. Bicas reconhece o esforço do município com a iluminação e a roda-gigante, mas destaca uma preocupação central: segurança. “O problema é muito maior do que retirar pessoas da rua. A gente está sofrendo com a falta de segurança, e o poder público deveria dar mais atenção.”

Na área de cosméticos, a gerente Simone, da loja Be Make, adota cautela. Para ela, o Natal deve repetir o desempenho do ano passado. “A gente espera uma alta, mas, sinceramente, não deve superar 2024. Talvez empate”, avalia. A chegada de uma nova linha sazonal pode ajudar a impulsionar as vendas, mas ela prefere aguardar os próximos dias. Ainda assim, ressalta a importância do ambiente decorado. “Eu acho válido, faz diferença como experiência. Eu, como cliente, gosto quando está iluminado.” (Jéssica Mussatti/Estagiária)

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