Mais opções para matar a fome
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quarta-feira, 31 de janeiro de 2018
Aline Machado Parodi<br>Reportagem Local 

Comida chinesa, mexicana, peruana, para veganos, para quem tem restrição alimentar, ortomolecular, portuguesa, carne, massa, peixe. As opções de bares e restaurantes na cidade vêm crescendo nos últimos tempos. De acordo com a Abrasel Norte (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), pelo menos 40 novos estabelecimentos ignoraram a crise econômica e abriram as portas em 2017. E a projeção para 2018 é de um crescimento do setor entre 10% e 15% em relação ao ano passado.
Em nível nacional, a entidade estima que o ano encerrou com um crescimento real de 2,5% a 3%, e para este ano a expectativa é de um aumento real na ordem de 4,5%. Uma pesquisa de conjuntura econômica realizada pela Abrasel apontou que há um clima de otimismo com a expectativa de aumento de faturamento. A média nacional chegou a 1,35% de crescimento. Mais da metade (52%) dos empresários que participaram da pesquisa esperam um ambiente de negócio melhor do que ano passado.
O Paraná manteve estável o quadro de restaurantes, mas de acordo com a presidente da Abrasel no Estado, Jilcy Mara Joly Rink, o faturamento teve redução média de 10%. Londrina foi na contramão desse cenário. O lucro do setor foi em torno de 5%. "Londrina se destacou em várias situações. No aprimoramento das casas e capacitação da mão de obra. A cidade saiu na frente", comenta Rink.
Segundo Alexandre Guimarães, presidente da Abrasel Norte, os empresários iniciaram um movimento de abertura de novas casas e reforma dos estabelecimentos. "Durante a crise o objetivo principal foi sobreviver. A partir de 2017 começamos a ver uma retomada dos investimentos tanto em inovação, atualização e contratação", afirma Guimarães.
Extremos
O mercado gastronômico da cidade está apostando nos extremos. Em uma ponta estão os novos restaurantes voltados para a classe A, com servições de alto padrão, ambiente e ingredientes diferenciados. Na outra, estão os estabelecimentos com bom custo-benefício. "Temos os dois extremos. Locais com tíquete médio acima de R$ 80 e tíquete abaixo dos R$ 40", diz o presidente da Abrasel Norte. Um dos locais que vêm atraindo os investimentos é a Gleba Palhano. "O bairro cresceu e aumentou a demanda por restaurantes e pontos comerciais", comenta.
NOVOS NICHOS
A segmentação do setor foi outra característica do mercado londrinense em 2017. Os empreendimentos estão seguindo a tendência das hamburguerias artesanais, das pizzarias gourmet, a culinária internacional e típica. "Vemos uma cozinha sistemática. Vemos um aumento da cozinha asiática, peruana, das casas especializadas em corte de carnes argentinas. Você não verá abrir nenhuma grande churrascaria, mas locais com cortes especializados", enfatiza Guimarães.
Com esse olhar de nicho de mercado, o casal Patrícia de Moura Carvalho Sousa e Maycon Douglas Vieira de Sousa resolveu apostar em um foodtruck de comida mexicana (Tex-mex), na zona Leste. Eles escolheram um ponto fixo, próximo de outro restaurante especializado em tacos.
"Viemos há pouco tempo dos Estados Unidos. Lá trabalhávamos em uma rede de fastfood de Tex-mex e resolvemos trazer essa novidade para Londrina. Escolhemos o local porque já tem próximo da taqueria e assim podemos atrair as pessoas que gostam da comida mexicana", conta Patrícia. O casal pretende em médio prazo se transformar em uma franquia.
Conhecer o tamanho do mercado e entender o consumidor é essencial para o sucesso do empreendimento, principalmente em um ambiente com grande concorrência como é o setor de alimentação. O consultor do Sebrae Rubens Fernandes Negrão enfatiza a necessidade de fazer um bom planejamento estratégico e modelagem de negócio. "É um mercado, pelo fato da concorrência, que exige um alto nível de profissionalismo na gestão, estratégias de comunicação e marketing, e relacionamento com o cliente", afirma o consultor.


