O número de municípios paranaenses que apresentaram em 2012 saldo negativo na geração de empregos formais foi maior do que o registrado no ano anterior. De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego, 75 dos 399 municípios do Paraná tiveram no ano passado mais demissões do que contratações. Em 2011, ao todo 65 municípios tiveram saldo negativo de empregos formais. Em 2010, foram 67 localidades nessa situação.
No ano passado, a grande maioria dos municípios com perda de postos de trabalho era de pequeno porte. A exceção era justamente a primeira colocada no ranking, Araucária, cidade de médio porte localizada na Região Metropolitana de Curitiba, onde a diferença entre contratações e demissões resultou em -7.612 empregos. As maiores perdas no município foram nos setores de construção civil (-5.329 vagas) e serviços (-3.307).
O secretário de Trabalho e Emprego de Araucária, Clodoaldo Sizenando, afirma que essas quedas foram resultado de uma situação excepcional: entre 2010 e 2011, a Petrobras investiu mais de R$ 8 bilhões em melhorias na Refinaria Presidente Vargas. Ao fim das obras, a maioria das empresas desmontou suas estruturas, o que se refletiu nos números da construção civil, e o setor de serviços acompanhou a queda. ''Em janeiro e fevereiro, a arrecadação do Imposto sobre Serviços (ISS) caiu 60%'', relata o secretário.
Sizenando aponta que o desemprego em Araucária não passa dos 3%, e, portanto, não é considerado um problema no município. Mas ele diz que o poder público está buscando investir em duas frentes: qualificação de mão de obra e alternativas à refinaria. ''Observamos a partir desse fenômeno (a influência dos investimentos da Petrobras na economia local) a ideia de valorizar outros polos industriais, como têxtil e madeireiro'', explica.
Porecatu, na Região Norte, teve o segundo maior saldo negativo de emprego no Paraná em 2012, com -1.210 vagas. O setor que puxou essa queda foi o de indústria de transformação, com o fechamento de 1.290 postos de trabalho. Outras quatro atividades tiveram saldo positivo (construção civil, comércio, serviços e administração pública), mas a soma foi insuficiente para compensar as perdas.
Jenílson Ramalho da Silva, gerente da Agência do Trabalhador de Porecatu, aponta que os números da indústria de transformação local são influenciados principalmente pelo fluxo de contratações e demissões entre o início e o final da safra de cana-de-açúcar - a maior empregadora do município é uma usina.
Segundo os dados do Caged, no período da entressafra de cana em 2012, entre janeiro e maio, o subsetor indústria de produtos alimentícios, bebidas e álcool etílico em Porecatu fez 34 contratações e 1.576 demissões, o que gerou um saldo de -1.542 vagas. Na época da safra, de junho a dezembro, foram 2.001 admissões e 1.754 desligamentos no subsetor, saldo positivo de 247 postos de trabalho. ''Na entressafra, muitos trabalham com bicos'', diz Silva.
O gerente relata que outras vagas de trabalho não são preenchidas por falta de mão de obra qualificada. Além disso, a informalidade é grande: em alguns casos, falta contingente para formar turmas para cursos de treinamento da agência - que exigem que os estudantes estejam desempregados - porque muitos trabalhadores estão em ocupações sem registro. Outro fator de influência é que muitos habitantes de Porecatu trabalham em municípios vizinhos, até no interior de São Paulo.
''O problema de Porecatu é que não tem outras empresas, não tem indústrias, então há muita dependência da usina'', explica o gerente.
Segundo Juarez Henrichs, diretor da Associação dos Municípios do Paraná (AMP), o fato de localidades menores representarem a maioria das cidades com saldo negativo de empregos formais traduz a fragilidade econômica dos municípios pequenos: sem sustentação própria, ou dependentes demais de determinadas atividades e portanto mais sujeitos a oscilações de setor.
''O que temos tentado fazer é sensibilizar o governo no sentido de trazer grandes obras ou proporcionar incentivos fiscais para que investimentos sejam realizados em municípios pequenos ou então em municípios-polos (de microrregiões)'', diz Henrichs.

Imagem ilustrativa da imagem Mais municípios sofrem perda de empregos
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