MAIS EMPREGOS - Redução de jornada é destaque em protesto
A redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais foi um dos sete pontos da pauta de reivindicações das seis centrais sindicais brasileiras, que prometeram agitar o País na última quinta-feira, no "Dia Nacional de Luta, com greve e mobilizações". As centrais alegam que a medida criaria mais de 2,2 milhões de empregos no Brasil.
Desde terça-feira passada, a FOLHA publica uma série de reportagens abordando os principais temas da pauta assinada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical, Nova Central, União Geral dos Trabalhadores (UGT), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTTB) e Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB).
"A redução da jornada é uma reivindicação histórica dos trabalhadores. Nós tentamos negociá-la com os presidentes Fernando Henrique Cardoso e Lula. Era uma proposta de campanha da Dilma, que não foi implementada", afirma o presidente da Força Sindical no Paraná, Nelson Silva de Souza. A jornada de, no máximo, 44 horas foi garantida aos trabalhadores pela Constituição de 1988.
Para defender o corte de quatro horas semanais, conforme prevê a Proposta de Emenda à Constituição 231, que tramita no Congresso Nacional desde 1995, as centrais se apoiam num cálculo feito pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese)em 2007. Ele faz parte da nota técnica número 57 da entidade e não foi atualizado. O estudo utilizou dados da Relação Anual das Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho e Emprego, de 2005. Naquele ano, o País tinha 22,5 milhões de pessoas com contrato de 44 horas de trabalho. E a redução seria capaz de gerar 2,2 milhões de novas vagas, caso não houvesse aumento do número de horas extras. Também em 2005, de acordo com a Rais, eram feitas 52,8 milhões de horas extras por semanas no Brasil. Somente o corte dessas horas extras, segundo calculou o Dieese, seria capaz de gerar 1,2 milhão de postos de trabalho. A entidade sustenta que o corte das quatro horas semanais representaria um custo a mais de 1,99% para a indústria de transformação. A estimativa leva em conta que os salários representam 22% dos custos deste setor. E esse aumento, na opinião do Dieese, seria compensado pela motivação maior do trabalhador.
Notas técnica do Dieese mostra que o trabalhador brasileiro, pelo menos da indústria, trabalha mais que os outros. Brasil e Chile, 43 horas semanais; Alemanha (37,6) e Espanha (35,3)
Estudos do Dieese apontam que o operário norueguês custa US$ 48,50 a hora, enquanto que o brasileiro gira em torno de US$ 5,96 a hora
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