O novo empreendedor brasileiro está mais confiante e se preparando melhor para iniciar uma atividade empresarial. A informação é do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas e Empresas do Paraná (Sebrae-PR), que constatou um aumento significativo no número de pessoas que procuram suas agências em busca de subsídios para abrir novos negócios.
No Paraná, este aumento é de quase nove vezes nos últimos cinco anos. No ano passado, o órgão atendeu 143 mil registros diferentes do Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) contra 16 mil em 2006, um aumento de 800%. Foram 40 mil consultorias on-line (à distância) e 103 mil que procuraram o Sebrae pessoalmente.
O gerente regional da entidade em Londrina, Heverson Feliciano, atribui o aumento a fatores macroeconômicos favoráveis, como por exemplo a maior oferta de crédito e a redução do tempo de espera para abrir uma empresa e também a melhoria do nível de escolaridade da população nos últimos 20 anos.
Outra diferença apontada pelo gerente do Sebrae está na forma de se empreender. Segundo ele, a pessoa pode iniciar um novo negócio de duas maneiras: por necessidade ou por oportunidade. O primeiro caso geralmente acontece depois que a pessoa perde o emprego e não consegue uma recolocação imediata. Assim, inicia uma atividade sem o devido planejamento, o que aumenta o risco de insucesso.
Mas Feliciano observa que atualmente o aumento se verifica a partir de novas oportunidades, quando a pessoa se prepara melhor e planeja o negócio de forma mais embasada. ''As pessoas que têm sucesso buscam um volume maior de informações. Fazer um bom planejamento não garante a sobrevivência do negócio, mas reduz os riscos'', afirma.
O gerente do Sebrae admite que o empreendedorismo precisa receber mais incentivo oficial no Brasil, a exemplo do que acontece em outros países, e reconhece que a sociedade está valorizando mais este tipo de iniciativa. ''A questão cultural tem melhorado bastante. Hoje, se você vai montar um negócio, a pessoa sabe que você vai investir, vai gerar empregos, e isso faz com que as pessoas empreendam mais'', afirma.
Segundo ele, um dos fatores que limita o empreendedorismo no momento é a escassez de mão de obra. Feliciano diz que há casos de empresários com duas lojas ou dois restaurantes e que evitam abrir uma nova filial por falta de gente para trabalhar. Ele acredita que o País vive um grande risco de ''apagão'' de mão de obra.
Primeiro Mundo
O Sebrae deve realizar, entre o final deste ano e o começo do ano que vem, uma pesquisa para definir o índice de sobrevivência das empresas nos dois primeiros anos de fundação, considerados os mais difíceis em qualquer atividade.
Até o começo da década de 1990, o índice de sucesso dos novos empreendimentos era de apenas 20%, o que assustava muita gente, segundo o gerente do Sebrae. Mas na última pesquisa, realizada há quatro anos, se constatou que houve uma inversão com o índice de sobrevivência saltando para 80%. No Paraná, este índice chega a 75%.
Feliciano destaca que, a comparar pelo aumento da procura por informações sobre novos empreendimentos no Sebrae e em outros órgãos, o índice de sobrevivência no Brasil está bem próximo de países desenvolvidos da Europa e Estados Unidos, que fica na média de 85%.

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