Mais dinheiro para a casa própria
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Chiara Quintão<br> Agência Estado 
São Paulo - Os financiamentos imobiliários com recursos da poupança devem ficar entre R$ 45 bilhões e R$ 50 bilhões este ano. Segundo expectativa da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), se o valor chegar a R$ 50 bilhões, haverá aumento de 47% nos recursos. A entidade estima, ainda, financiamento recorde de 400 mil a 450 mil unidades.
No ano passado, o financiamento foi recorde em valor e em número de unidades. O montante financiado chegou a R$ 34,017 bilhões, o que representa crescimento de 13,3% em relação aos R$ 30,032 bilhões de 2008. Foram financiadas 302,680 mil unidades, superando as 299,746 mil do ano anterior, que também tinha sido recorde. O crédito imobiliário com recursos de poupança aumentou 51% no mês de dezembro, para R$ 3,829 bilhões. O número de unidades financiadas foi de 31,688 mil, 24,45% acima do registrado em dezembro de 2008.
Em dezembro, a Abecip afirmou, em nota, que o desempenho dos financiamentos com recursos da poupança em 2009 deveria ser ''ainda melhor que o de 2008''. A projeção representava melhora em relação à estimativa divulgada em agosto pela entidade de crédito imobiliário de, no mínimo, R$ 30 bilhões. No ano passado, a captação líquida (depósitos menos retiradas) dos recursos da poupança destinados ao Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimos (SBPE) aumentou 11,05%, para R$ 23,805 bilhões. Em dezembro, a captação líquida cresceu 2,92%, para R$ 7,164 bilhões.
Análise
Os recursos de poupança devem ser suficientes para financiar o crédito imobiliário nos próximos três ou quatro anos, segundo o presidente da Abecip, Luiz Antonio França. Atualmente, a poupança e o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) são as principais fontes de recursos para o financiamento imobiliário. No ano passado, o financiamento imobiliário com funding da poupança cresceu 13,3%, para R$ 34,017 bilhões, com 302,680 mil unidades financiadas. Somando-se as 383 mil unidades financiadas pelo FGTS, o número chega a 683 mil.
Na sua avaliação, para que a participação de instrumentos de securitização como fontes de financiamento do setor aumente será preciso que as carteiras imobiliárias tenham outros indexadores, que não a TR, índice que remunera a poupança. ''Quando começarmos a gerar carteiras que utilizem outros indicadores, poderemos ver a indústria de securitização tendo mais força'', afirmou França, citando entre os instrumentos de securitização os certificados de recebíveis imobiliários (CRIs) e os fundos de investimento imobiliário (FIIs). Questionado se a mudança poderia encarecer o valor cobrado pelo crédito, o presidente da Abecip disse que isso vai depender de fatores como inflação.
Em 2007, 2008 e 2009, a participação da caderneta de poupança no conjunto dos instrumentos de captação foi mantida em 11% do total. ''Em 2009, houve discussão se estaria havendo migração de fluxo de recursos para a poupança. Essa participação inalterada comprova que não havia necessidade de se mexer na poupança'', disse França. No ano passado, o governo discutiu a possibilidade de alterar regras da poupança, mas acabou desistindo das mudanças.


