Curitiba - Os brasileiros que não conseguiram fechar as contas usaram R$ 1,184 bilhão do cheque especial, em média, por dia, em agosto, segundo dados do Banco Central. A ''Nota de Política Monetária e Operações de Crédito do Sistema Financeiro Nacional'' do BC aponta ainda que, em agosto, o saldo da dívida dos correntistas com os bancos ficou em R$ 21,05 bilhões, volume 1,3% menor em relação a julho.
Apesar das recentes reduções de juros do cheque especial, essa ainda continua sendo uma modalidade de crédito com taxa alta. Em agosto, de acordo com o BC, a taxa ficou em 148,6% ao ano, com redução de 2,4 pontos percentuais em relação a julho e 39,5 pontos percentuais na comparação com o mesmo mês de 2011. Para perceber o quanto esses juros são altos, basta compará-los à taxa do crédito pessoal, incluídas operações consignadas em folha, que ficou em 39,4% ao ano, em agosto.
O diretor da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel Ribeiro de Oliveira, disse que o cheque especial acaba sendo procurado pelas pessoas porque é a linha de crédito mais fácil de utilizar e vem com limite pré-aprovado. Segundo ele, a média de utilização é de 23 dias por mês. ''Já conta como renda complementando o salário. O cheque especial não é renda. É para um período curto e em uma situação especial'', alertou. O grande problema é o percentual alto de juros, segundo ele. Dados do Banco Central apontam que os juros anuais do cheque especial podem chegar a 218%.
Ele lembrou que no empréstimo pessoal, os juros anuais são menores e atingem cerca de 60% ao ano. O crédito consignado tem taxas de 25% a 28% ao ano. Oliveira disse que a solução para não cair no cheque especial é ter um controle maior sobre o orçamento doméstico. Para sair do cheque a dica dele é pedir um empréstimo pessoal, que tem juros mais baixos. É trocar uma dívida mais cara por uma mais barata.
Apesar do volume alto de R$ 1 bilhão por dia em agosto, os dados do Banco Central mostram que o saldo da dívida dos brasileiros com cheque especial em outubro de 2011 era de R$ 20,6 bilhões contra R$ 21,54 bilhões no final de agosto deste ano, o que significa um aumento de 2,2%.
O consultor financeiro da Inva Capital, Raphael Cordeiro, disse que o crédito em geral teve um crescimento de 15% a 17% no Brasil nos últimos 12 meses. ''Isso quer dizer que aumentou mais o crédito bom do que o ruim'', disse. Ou seja, as pessoas estão procurando crédito com juros menores. ''É um bom sinal'', afirmou.
''O cheque especial é bastante perigoso. A solução é a pessoa ganhar mais do que gasta'', disse. Para quem está com problemas com o cheque especial, a primeira dica dele é que a pessoa realize um novo orçamento no qual as contas fechem e coloque-o em prática. Em seguida, tentar trocar a dívida com juros maiores por uma com taxas menores. ''A fonte do problema é o caixa mensal das famílias'', destacou. Segundo ele, a maioria das pessoas não compara juros ao fazer uma compra.
O professor de finanças da Faculdade Ibmec, Marcos Aguerri Pimenta, explicou que os juros são altos porque o ''dinheiro está disponível na conta-corrente a qualquer momento, sem a necessidade de negociar com o gerente no banco''.
Pelos cálculos do professor, se um correntista usar R$ 100 de cheque especial durante 22 dias, irá pagar R$ 5,82. Se a mesma pessoa tivesse R$ 100 para aplicar na poupança, levaria um ano para ter em torno de R$ 5,82 de remuneração, valor pago ao banco pelo empréstimo em apenas 22 dias.

Imagem ilustrativa da imagem Mais de R$ 1 bi é usado em cheque especial por dia
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