Rio de Janeiro - Parcela significativa dos trabalhadores brasileiros ganha abaixo da remuneração mínima fixada pela legislação. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 16,7% dos 19,6 milhões de ocupados nas seis principais regiões metropolitanas do País, ou 3,3 milhões de pessoas, ganhavam menos de um salário mínimo em março. As estatísticas mostram também que o porcentual dos trabalhadores das maiores cidades brasileiras que ganham menos do que o mínimo vem crescendo nos últimos anos. Em março de 2002, esse porcentual atingia 11,1%; no ano seguinte, pulou para 14,4%; e em março do ano passado, chegou a 16,2%.
Por outro lado, a parcela dos que ganham mais de 10 salários mínimos e ocupam o topo da pirâmide de distribuição de renda entre os ocupados caiu de março de 2002 (8,4%) para 2003 (6,3%), mas permaneceu praticamente inalterada em 2004 (6,5%) e 2005 (6,1%).
O coordenador da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE, Cimar Azeredo Pereira, disse que a tendência é de que o porcentual dos que recebem menos de um salário aumente a cada reajuste do mínimo. O argumento é de que na economia real os reajustes salariais não ocorrem na mesma proporção do mínimo ou na mesma velocidade e, portanto, quando a referência do salário é elevada, imediatamente novos ocupados passam a figurar abaixo desse limite.
Os números divulgados por Pereira apontam também que 64% do total de ocupados, ou seja, 12,5 milhões de pessoas, ganhavam até três salários mínimos em março, ou menos de R$ 780. O valor é bem menor do que o rendimento médio real apurado nas seis regiões pesquisadas pelo IBGE em março, de R$ 945,20, o que mostra que uma parcela pequena dos trabalhadores tem puxado a renda para cima.
O analista de mercado de trabalho do Ipea, Marcelo de Ávila, disse que o número elevado de ocupados que ganham menos de um salário mínimo pode estar relacionado à elevada informalidade que ainda persiste no mercado de trabalho e também àqueles trabalhadores que contribuem para a renda da família, mas não são os chefes do lar.
Instrução - Os dados do IBGE mostram também que, no que diz respeito ao grau de instrução dos ocupados nas seis regiões, 50,2% têm 11 anos ou mais de estudo, ou pelo menos o segundo grau completo. A renda média dessa fatia é de R$ 1.382, ou 5,3 salários mínimos. Pereira explica que os dados não são incompatíveis com os dados de sub-remuneração divulgados porque esse rendimento mediano está sendo puxado pela parcela dos que ganham mais de 10 salários, que representam uma fatia insignificante do número absoluto de trabalhadores.

mockup