Mais de 3 milhões de ha ficam descobertos durante o inverno no PR
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quarta-feira, 04 de julho de 2001
Silvana Leão De Londrina 
Desde a década de 70 o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) desenvolve pesquisas em plantio direto e divulga as vantagens da rotação de culturas e adubação verde. Até hoje, porém, a tecnologia não foi totalmente assimilada pelo produtor. Mais da metade da área agricultável do Estado ainda fica descoberta durante os meses de outono e inverno.
Segundo o pesquisador Ademir Calegari, são mais de 3 milhões de hectares (ha) que ficam, por cerca de seis meses, suscetíveis à ação das invasoras e da erosão, aumentando, consequentemente, o custo de controle e de manejo. Com exceção do Rio Grande do Sul, que tem tradição do plantio direto, a situação é ainda mais grave no resto do País.
Ontem pesquisadores, produtores, professores e estudantes de empresas privadas de diversas regiões do Brasil e alguns países da América Latina puderam conhecer um pouco da tecnologia gerada pelo Iapar. A visita aos campos experimentais foi parte da programação do 28º Congresso Brasileiro de Ciência do Solo, promovido pela Embrapa, Iapar, Universidade Estadual e Londrina (UEL) e Universidade Estadual de Maringá (UEM), que termina amanhã em Londrina.
Os visitantes conheceram espécies utilizadas para cobertura de inverno. Puderam ver de perto canteiros de aveia branca, aveia preta, nabo forrageiro (pivotante e comum), ervilhaca (comum e peluda), centeio, ervilha forrageira, tremoço azul. E ouviram de Calegari as principais recomendações em relação à tecnologia, como por exemplo a diversificação de espécies, além de um resumo da capacidade de cada uma delas.
O pesquisador afirma que, apesar dos mais de 3 milhões de hectares de plantio direto hoje no Paraná, o sistema ainda carece de adequação principalmente quanto ao uso da correta rotação, de acordo com as características de produção regionais e de cada propriedade para que o produtor possa usufruir de melhores resultados. Se bem aplicada, a tecnologia pode aumentar a produtividade em até 30% ao longo dos anos.
Outros aspectos positivos do uso de plantas de cobertura citados por Calegari são a capacidade de fixar nitrogênio do ar, ajudar a descompactar o solo, reciclar e fixar nutrientes. Além disso, de acordo com o pesquisador, a maioria tem potencial forrageiro permitindo o sistema de integração lavoura/pecuária e muitas têm efeito supressivo (alelopático), controlando ervas daninhas.
EstabilidadeO grande diferencial entre optar pelo cultivo tradicional ou pelo plantio direto com rotação de culturas, porém, pode estar no aumento da estabilidade da produção, deixando de expor o produtor rural aos altos e baixos causados pelas variações climáticas. A proteção fica por conta da boa cobertura de solo resultante da palhada fornecida pelos adubos verdes. A rotação tem tanto efeitos imediatos como a médio e longo prazos, diz Calegari.
Quanto ao problema da aquisição de sementes além da pouca oferta, são vendidas a preços elevados e nem sempre oferecem pouca qualidade , Calegari é enfático: O produtor não pode recorrer ao mercado todos os anos para adquiri-las. A planta de cobertura é um insumo indispensável para o sistema e, por isso, é preciso desenvolver a capacidade de produzi-lo na própria prooriedade. Assim ele torna-se barato, baixando os custos de produção.
Para o pesquisador, para ser rentável, o sistema de produção deve ser auto-sustentável, mas ainda impera entre os produtores a mentalidade consumista, de achar que armazenar sementes é algo do passado. Na verdade é o contrário. A saída é desenvolver os próprios insumos básicos, entre eles as sementes, diz.
Os cerca de 100 participantes do Congresso de Ciência do Solo que visitaram o Iapar ontem foram divididos em três grupos. Além de conhecerem as alternativas para rotação de culturas no sistema de plantio direto, também receberam informações sobre mecanização, tanto em grande como pequenas propriedades, e calagem superficial para plantio direto. Equipes também visitaram, ao longo do dia, a Embrapa Soja, a UEL e a UEM, além de cooperativas.


