Brasília - A Operação Persona, que desmantelou na semana passada um poderoso esquema de fraudes nas importações de produtos fabricados pela multinacional americana Cisco Systems, expôs uma realidade cada vez mais presente na economia brasileira: o uso da figura de laranjas para acobertar transações financeiras e empresariais ilícitas. O laranjal da fraude se expande em tamanho e sofisticação, além de exibir uma impressionante capacidade de se adaptar aos mais variados negócios.
Há laranja dos mais variados tipos. Desde o laranja político, identificado nas CPIs do Congresso, até o laranja virtual que surge na internet para vender produtos de empresas de fachada, que não são entregues ao consumidor.
Cidadãos honestos, na maioria das vezes de baixo poder aquisitivo e de instrução, transformam-se em laranjas inconscientes porque assinam sem saber procurações utilizadas pelos fraudadores para abrir empresas de fachada. Documentos perdidos ou roubados são também instrumentos fáceis nas mãos dos grupos criminosos para a criação de laranjas.
Como o descoberto no esquema fraudulento da Cisco, que utilizava uma rede de múltiplas empresas de fachada, os fraudadores já não usam mais uma laranja ou uma cesta delas. Valem-se de um verdadeiro laranjal plantado com técnicas modernas para conseguir fugir da mira da fiscalização da Receita Federal e Polícia Federal.
As operações com comércio exterior têm se revelado um campo dos mais férteis para a plantação de laranjas. Nos últimos três anos, a Receita descobriu 1.067 empresas laranjas, que operavam com importações fraudulentas. Muitas delas sem nenhuma capacidade financeira e algumas abertas exclusivamente para uma única operação de importação.
Os casos mais comuns são de operações desses laranjas com subfaturamento, importação de produtos piratas, falsa declaração de conteúdo e lavagem de dinheiro. Desses esquemas fraudulentos, se alimentam o crime organizado, contrabando e o tráfico de drogas.

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