Imagem ilustrativa da imagem Mais custos de produção, menos investimentos
| Foto: Marcos Zanutto/08-08-2014
Operações de custeio e comercialização da agricultura empresarial totalizaram R$ 117,3 bilhões; captação de recursos com o governo federal virou uma necessidade para os produtores



A elevação dos custos de produção das commodities – principalmente grãos - foi o principal fator responsável pelo aumento da tomada de empréstimos dos médios e grandes produtores rurais entre junho de 2015 e o mês passado, correspondente ao balanço dos financiamentos no Plano Agrícola e Pecuário 2015/16. Os dados foram divulgados pela Secretaria de Política Agrícola (SPA) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), apontando para um valor de contratação da safra de R$ 144,5 bilhões, alta de 9,2% frente ao ano anterior.

As operações de custeio e comercialização da agricultura empresarial totalizaram R$ 117,3 bilhões. De acordo com a SPA, o valor equivale a 100% do montante programado para o ciclo. Do total, R$ 97,4 bilhões foram contratados a juros controlados (entre 7,75% e 8,75% ao ano). Já os financiamentos a juros livres chegaram a R$ 19,9 bilhões, sendo 69% provenientes das Letras de Crédito do Agronegócio (LCA’s). Os empréstimos para comercialização somaram R$ 26,8 bilhões, sendo a Região Sudeste tomadora de 44% do total, seguida da Região Sul (39%)."Os números mostram que o produtor continua acreditando que o financiamento, com o apoio do governo, é importante para o desenvolvimento da agropecuária", ressaltou o secretário da SPA, Neri Geller.

Mais do que "acreditar no financiamento", a captação de recursos com o governo federal é uma questão de necessidade, principalmente quando se trata do custeio e a comercialização da safra. Entretanto, o que verdadeiramente mostra o impacto da elevação dos juros recentemente é a diminuição do volume nas linhas de investimento. Segundo o Mapa, apenas R$ 27,2 bilhões foram utilizados nesse escopo, queda de 29% frente aos R$ 38,3 bilhões do ciclo passado. No que diz respeito à quantidade de operações, o número atual fechou em 151,3 mil, contra 217,6 mil do período anterior.

Juros
O economista da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) Pedro Loyola elenca alguns fatores que inibiram o produtor a contratar crédito para investimento. O primeiro deles, sem dúvida, é a alta dos juros para praticamente todas as linhas. "O produtor sabe que essa alta de juros pode ser passageira. Ele coloca o pé no freio e espera que no futuro próximo os juros estejam mais condizentes com a condição atual dele".
Outro ponto, segundo Loyola, é que nas três safras anteriores o produtor tinha uma demanda bem reprimida por máquinas e equipamentos que acabou aliviada ano a ano. "O governo lançou uma linha chamada PSI, com juros que iniciaram a 3,5%, depois saltaram para 5,5%, e que teve uma procura muito grande. A demanda reprimida acabou sendo atendida e aliviando um pouco o mercado".
Por fim, o terceiro fator é que as instituições financeiras estão mais exigentes na liberação de crédito. "Não tenho dúvidas de que a captação desse tipo de recurso vai continuar em patamares baixos. O produtor vai especular a queda de juros na próximas safras, fazendo apenas o planejado de longa data. Aquele boom que vimos em todas as linhas de investimento nos últimos anos não deve acontecer".

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