Brasília - O preço da aquisição da casa própria deve cair ao longo do ano que vem, prevê o presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso. Caso a economia continue apresentando indicadores positivos, principalmente com redução contínua da taxa de juros da economia e nos valores cobrados do consumidor final, os agentes financeiros se sentirão mais seguros para emprestar, aumentando o volume de recursos disponíveis, além de oferecerem condições mais favoráveis aos futuros mutuários. Ele admitiu que as taxas de juros elevadas são inibidoras do crédito imobiliário, contribuindo para o aumento da inadimplência e do risco de crédito dos bancos.
De acordo com Mattoso o risco de inadimplência, com o consequente custo de todo o processo de retomada dos imóveis por parte dos bancos, já está embutido na taxa cobrada. Ela chega a 13% ao ano mais Taxa Referencial de Juros (TR) no caso do crédito habitacional para a classe média, baixando para algo em torno de 8% para os financiamentos com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), destinado às camadas de renda mais baixa. Com a possibilidade de uso do FGTS para pagamento das prestações em atraso, o porcentual de inadimplência pode cair, reduzindo ainda mais o risco embutido nas prestações.
A instabilidade econômica dos últimos anos, que se refletiu na elevação das taxas de juros, foi a principal responsável pelo crescimento acanhado do financiamento habitacional no País. ''O problema do financiamento não se resume à inadimplência, mas também aos juros elevados'', disse Mattoso.
A alienação fiduciária, um sistema parecido com o leasing de veículos, uma das modalidades mais baratas de financiamento no mercado, pouco significou nesse período em termos de crédito mais barato para os adquirentes de imóveis. Na época da aprovação da lei, em 1997, a alienação fiduciária foi anunciada como uma saída para a retomada rápida do imóvel em caso de não pagamento, uma vez que o adquirente só se torna proprietário depois de pagar a última prestação, com possível repercussão na taxa de juros. Só que o prazo, no caso dos automóveis, é de no máximo 48 meses, com taxa de juros mensal variando entre 2,1% e 3,5%.
''É certo que o leasing reduz o custo, mas não há comparação possível com o crédito habitacional'', disse Mattoso. Ele argumenta que o crédito habitacional tem natureza própria, envolve um bem de valor muito mais elevado que, de outra forma, dificilmente estaria acessível à população sem o financiamento. Além disso, no crédito habitacional o prazo de pagamento gira em torno de 15 anos. Os dados da Caixa mostram que embora os mutuários não paguem menos juros com a alienação fiduciária, esse instrumento tem contribuído para a queda da inadimplência e um prazo mais curto em termos de retomada do imóvel.

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