Mais 10 donos de postos são procurados pela polícia
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 14 de março de 2003
Benê Bianchi<br> Reportagem Local 
Além de Valter Sasso e Ariovaldo Ferraz de Arruda, outros 10 donos e gerentes de postos de combustíveis de Londrina também tiveram a prisão preventiva decretada, em dois processos que tramitam na 5 Vara Criminal por crime contra a ordem econômica (cartel); formação de ajuste e acordo de empresas, prejudicando a concorrência; e constrangimento de testemunhas.
Estão sendo procurados pela polícia: Reginaldo Monteiro, Ismael Anselmo, Luiz Jorge Bolognesi, Maxuell Pavesi, Marcos Antonio Suriam, Sandro Vicente Zanchet e Nilo Morishita, réus no processo 291/01; e Hamilton Cobo Pires, Silvano Leite de Almeida e Antonio Marques da Silva, réus no processo 180/02, junto com Arruda e Sasso.
Os processos tramitam desde 2001 (291/01) e 2002 (180/02) e os réus já tiveram a prisão preventiva decretada anteriormente. A medida, no entanto, foi anulada pelo Tribunal de Justiça do Paraná, acatando pedido da defesa sob alegação de que a então juíza do caso, Oneide Negrão, não poderia julgá-lo por ter se manifestado, em entrevista à imprensa, antes de analisar os fatos. Os processos foram revistos pelo juiz Álvaro Rodrigues Júnior, que também concluiu pela decretação das prisões.
Os processos foram propostos pelo Ministério Público de Londrina. ''Há dois anos os preços dos combustíveis estão alinhados na cidade. Toda vez que há aumento, o alinhamento continua. Se isso não é distúrbio da ordem pública, o que é?'', questiona o promotor Sérgio Corrêa, da 4 Vara Criminal. Também atuam no caso, Miguel Sogaiar (Defesa do Consumidor), Janderson Iassaka (3 Vara Criminal), Eduardo Diniz Neto (4 Vara) e Jorge Fernando Barreto (5 Vara), além do coordenador administrativo do grupo de promotores, Eduardo Chagas.
Segundo os promotores, o pedido de prisão se justifica pela garantia da ordem pública, a garantia da ordem econômica e a conveniência da instrução criminal. ''A própria imprensa já denunciou caso de testemunhas que desistiram de prestar depoimentos à Promotoria de Defesa do Consumidor após sofrerem ameaças. Se não aplicarmos o instrumento da prisão preventiva quando há necessidade, fica a sensação da impunidade'', diz Sogaiar. Os promotores consideram que os dois principais acusados do alinhamento de preços em Londrina, Sasso e Arruda, estão presos e que isso pode trazer mais tranquilidade ao mercado.
Os promotores informam que, se necessário, irão pedir a prisão de outros donos de postos. Até o início da noite de ontem, apenas Sasso e Arruda continuavam presos. O advogado Antônio Fidélis tentava, até à noite, a revogação da prisão de Sasso e caso o benefício fosse concedido, seria também estendido a Arruda. Se não tiver sucesso, ele entrará com pedido de habeas corpus, no TJ, na segunda-feira.


