São Paulo - Maior estado negro do país - 80% da população - a Bahia é também o que mais discrimina a trabalhadora negra. Lá chegam a ganhar só 40% do salário de um homem branco que ocupa a mesma função, conforme dados do Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Sócio-Econômicas (Dieese) divulgados ontem.
A discriminação é ainda maior com relação às empregadas domésticas negras. Segundo o primeiro levantamento ''Trabalho Doméstico e Igualdade de Gênero e Raça'' da Organização Internacional do Trabalho (OIT), o número de mulheres negras que trabalham como domésticas é pelo menos o dobro do número de domésticas não-negras. O levantamento foi feito em São Paulo, Belo Horizonte, Distrito Federal, Porto Alegre, Recife e Salvador, onde a diferença é de quase quatro vezes.
No geral, há mais domésticas não-negras com carteira assinada do que negras nas seis regiões metropolitanas pesquisadas. Curiosamente, o Distrito Federal, que tem o maior índice de formalização do emprego do país, por causa da concentração de funcionário públicos, e a maior renda média do Brasil, é um dos lugares onde há o menor número de domésticas com carteira assinada, com 35% das domésticas não-negras registradas e 34,2% das domésticas negras. A capital perde apenas para Salvador, onde 30,8% das domésticas negras possuem carteira assinada.
Oficialmente há 6 milhões de empregadas domésticas no Brasil, negras ou não-negras, mas o Ministério do Trabalho estima que haja mais 2 milhões que não entraram no último levantamento, em 2003. Desse total, apenas 25% possuem carteira assinada. No caso das negras, são 23%.
Mas não são apenas as trabalhadoras informais que estão sem cobertura social. Menos da metade dos patrões que registram suas funcionárias paga Previdência Social para suas empregadas, segundo o Dieese.

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