Maioria dos produtores está integrada à indústria
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 14 de agosto de 2015
Ricardo Maia<br> Reportagem Local 
Cerca de 80% dos suinocultores paranaenses entregam a sua produção diretamente à agroindústria em um sistema de convênio. Na integração, as empresas prestam todo o apoio técnico e, em alguns casos, até mesmo aporte financeiro. A tarefa do produtor é engordar os animais até a terminação. Edmar Gervásio, técnico do Deral, afirma que esse modelo deu muito certo no Paraná tanto na suinocultura, quanto na avicultura. Hoje, a produção paranaense de suínos é a terceira maior do Brasil, perdendo somente para Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
O rebanho do Paraná foi estimado em 2013 em 5,3 milhões, representando no período 14,5% do rebanho nacional. Gervásio afirma que nos últimos 10 anos a cadeia suinícola vem crescendo de forma constante. Segundo ele, mesmo para os produtores não integrados, apostar na suinocultura é economicamente vantajoso.
A Coopavel Cooperativa Agroindustrial também quer apostar na produção de suínos e aves. Recentemente, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou o financiamento de R$ 59 milhões à cooperativa, que deverá contemplar a implantação de uma Unidade Produtora de Leitões (UPL) em Cascavel e na expansão dos matrizeiros de aves em Santa Tereza do Oeste e Lindoeste. Os recursos do BNDES são provenientes do Programa de Desenvolvimento Cooperativo para Agregação de Valor à Produção Agropecuária (Prodecoop).
Com prazo de conclusão previsto para junho de 2017, a nova unidade de leitões é a segunda da cooperativa, devendo entrar em operação parcial a partir de outubro de 2016. De acordo com a organização, a unidade poderá elevar a capacidade instalada de produção de suínos em mais de 250%. As duas unidades dos matrizeiros, cuja conclusão está prevista para dezembro de 2016, devem trazer, segundo a cooperativa, ganhos de qualidade e produtividade, com redução de custos e maior controle genético. A Coopavel estima a criação de 300 postos de trabalho durante a execução do projeto. Após a conclusão, deverão ser gerados 115 empregos, expandindo o quadro de funcionários da cooperativa para 5.012.
Dilvo Grolli, presidente da Coopavel, afirma que o financiamento liberado pelo BNDES faz parte de um pacote de investimentos da cooperativa na ampliação dos setores de suínos e aves. A meta da Coopavel é investir de 2014 a 2016 R$ 270 milhões. Só no ano passado, os dois segmentos receberam um aporte de R$ 90 milhões. Neste ano e em 2016 estão previstos mais R$ 180 milhões. Os recursos também são provenientes do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE).
Hoje a cooperativa abate 200 mil frangos por dia. Com os investimentos, pretende aumentar esse número para 300 mil frangos/dia. Investimento em alojamentos é um dos objetivos da organização. Na cadeia suinícola, atualmente são abatidos 900 suínos por dia, mas a meta até o próximo ano é chegar a 1.500 animais abatidos diariamente.
Grolli afirma que o mercado avícola ainda é mais promissor se comparado ao de suínos. Contudo, o presidente da Coopavel salienta que o setor de suínos crescerá muito se o Paraná conseguir o status de área livre de febre aftosa sem vacinação. Com liberação, o Brasil poderá exportar mais, garantindo preços melhores se comparado aos praticados no momento. "Para isso, precisamos estar preparados", destaca o dirigente.


