Maioria dos produtores de orgânicos não possui certificação
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segunda-feira, 20 de julho de 2015
Ricardo Maia<br> Reportagem Local 
A produção de alimentos orgânicos no Paraná tem crescido em torno de 20% ao ano. Esse mercado chega a movimentar R$ 650 milhões anualmente, com volume produzido de 130 mil toneladas em média por período. Mas esse crescimento não supera uma dificuldade real do setor, que é a baixa adesão ao selo de certificação. Atualmente, apenas 1.485 produtores de orgânicos, de um total de 7,5 mil, possuem o selo de certificação no Estado. No Brasil, segundo dados do Ministério da Agricultura, obtidos em janeiro deste ano, são 10.194 agricultores com selo de certificação.
João Carlos Zandona, presidente do Centro Paranaense de Referência em Agroecologia (CPRA), órgão vinculado à Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), afirma que existe uma demanda muito grande por esses produtos, mas antes de chegar ao consumidor, eles precisam ser certificados e rotulados para atestar a sua origem. Para certificar uma propriedade, Zandona ressalva que é necessário que o produtor tenha planejamento.
Mesmo assim, o preço da certificação ainda inibe muitos agricultores a adquirirem o selo, além da falta de técnicos para atender toda a demanda. De acordo com informações do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), para manter uma certificação o produtor pode gastar, em média, R$ 2,5 mil reais por ano. Contudo, especialistas afirmam que em grupo, como associações ou cooperativas, esse valor pode ser bem menor.
Mesmo com essas dificuldades, Zandona destaca que é necessário que mais propriedades consigam o selo certificador. Ele conta que, além de benéfico à saúde, um produto orgânico chega a ter uma remuneração 30% maior se comparado a um produto convencional, em um sistema de fornecimento para alimentação escolar, por exemplo. Isso, afirma o presidente da CPRA, garante maior rentabilidade para o agricultor.
Zandona salienta que aqueles produtores que não possuem certificado de produção orgânica não conseguem vender para fora de sua região. Para levar a certificação aos agricultores que ainda não possuem o registro, ele reforça que é necessário intensificar a assistência técnica no Estado. Segundo ele, o Paraná tem grande potencial de produção de orgânicos porque é um Estado organizado.
O Emater é um dos órgãos responsáveis por levar a capacitação aos agricultores de orgânicos. Iniberto Hamerschmidt, coordenador estadual de olericultura da entidade, explica que quem for pego comercializando produtos orgânicos sem certificação pode ser penalizado.
O especialista afirma que adequar-se aos critérios pedidos pela certificação é algo que pode ser conseguido com a devida assistência técnica. Ele explica que há dois tipos de produtores: aqueles que estão entrando agora na atividade e os que estão migrando da agricultura convencional para a orgânica.
"A primeira coisa que um técnico deve verificar é se uma determinada área tem condições de atender a uma produção orgânica", explica Hamerschmidt. Se aprovado, completa ele, o primeiro trabalho a ser realizado na propriedade é a descontaminação do solo e a verificação se naquela área há a possibilidade de sofrer com deriva com defensivos agrícolas provenientes de terrenos vizinhos.
Depois, completa o especialista, o Emater ajuda o produtor a preencher os formulários que são entregues a uma certificadora. "Agora, se o agricultor for comercializar só em sua região, o encaminhamos para associações ou cooperativas de produtores orgânicos que podem ajudá-lo a vender a mercadoria sem a necessidade de um selo próprio de certificação", completa Hamerschmidt. Contudo, essa mesma associação precisa ser credenciada no Mapa.
Atualmente o Emater conta que são 100 técnicos disponíveis em todo o Estado que não só atendem os produtores de orgânicos, mas também prestam apoio aos produtores de culturas convencionais. O coordenador do Emater afirma que o número é pequeno em relação à demanda, mas em breve, reforça ele, o instituto terá técnicos o suficiente para suprir a necessidade do segmento, já que está em via de contratação mais 400 novos profissionais aprovados em concurso. "Quem sabe teremos técnicos exclusivos para atender somente o nosso segmento de orgânicos", completa Hamerschmidt.


