Curitiba- No primeiro semestre deste ano, os pisos salariais estabelecidos pela maioria das negociações realizadas pelas categorias que tiveram reajuste no período correspondem a valores mínimos de até 1,5 salário mínimo. As informações fazem parte do Estudo e Pesquisas número 25 que o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) divulgou ontem.
Segundo o estudo, entre janeiro e junho de 2006, aproximadamente 44% de um total de 211 negociações acompanhadas pelo Dieese, fixaram pisos salariais equivalentes a até 1,25 salário mínimo vigente em cada data-base e quase 70% delas os estabeleceram em valores correspondentes a até 1,5 salário mínimo oficial.
Segundo o supervisor técnico do Dieese, Cid Cordeiro, os pisos salariais não acompanharam os aumentos reais do salário mínimo nos últimos anos. Na média, ocorreu uma queda na relação entre pisos salariais e salário mínimo de 1,74 entre janeiro e junho de 2004, para 1,69 em igual período de 2005 e 1,52 em 2006.
Em 2005, o mínimo subiu de R$ 260 para R$ 300 e, em abril deste ano, a alta foi de R$ 300 para R$ 350. Segundo o Dieese, o reajuste real (descontada a inflação) nesses dois anos alcançou 22%, percentual que não foi acompanhado pelos demais reajustes salariais.
''Deve-se reconhecer a importância da valorização do salário mínimo como fator da elevação da renda funcional do trabalho, haja vista o impacto, imediato ou em cadeia, que os reajustes oficiais produzem sobre as faixas de remuneração inferiores'', afirmou o estudo. ''Ainda assim, cabe observar que esse movimento não vem se impondo na medida e intensidade desejadas.''
Os valores médios mais altos para os pisos salariais no primeiro semestre de 2006 foram encontrados no Centro-Oeste e no Sudeste do País (1,63 salário mínimo). Nas regiões Sul e Nordeste, a média correspondeu a 1,42 salário e na Região Norte a 1,33. O maior porcentual de pisos salariais próximos ao salário mínimo ocorreu na indústria, onde 59% dos valores situaram-se entre 1 e 1,25 salário mínimo e quase 80% não ultrapassaram 1,5. (Com Folhapress)

mockup