Mesmo com a redução de preços comprovada matematicamente, muitos consumidores não percebem a queda. Segundo o economista Flávio Oliveira dos Santos, esse comportamento pode ser explicado pela alta de outros produtos não pesquisados, como materiais de limpeza e higiene e os itens considerados supérfluos. Ele informa que nos últimos três anos o preço do detergente subiu cerca de 80%, enquanto o custo do açúcar foi reajustado em 37%.
''Além disso, o preço das tarifas básicas - como água, telefone e energia elétrica - subiu além da inflação e isso corrói os salários. As famílias ficam com menos dinheiro para fazer suas compras'', avalia Santos. A dona de casa Ana Velani, por exemplo, é uma consumidora que não percebeu a redução de preços. ''Todo mês sobe um pouco. Mesmo comprando as mesmas coisas acabo gastando mais'', diz.
Ontem, ela estava fazendo compras no Supermercado 88, no Conjunto Lindóia (zona leste), que é avaliado pela pesquisa do economista. Ana disse que já fez pesquisas de preços em outros supermercados da região central, mas achou que os preços não compensaram. A dona de casa Cícera Aparecida Francisco também disse que não percebeu diferenças de preços e que, ultimamente, está ''gastando pouco'' com as compras devido à sua condição financeira.
Já a dona de casa Lucimar Alves de Andrade acredita que o preço das verduras poderia ser menor. ''Sempre compro igual, mas gasto mais'', avalia. Ela comenta que já fez pesquisas em outros supermercados, mas que prefere continuar comprando no estabelecimento instalado nas proximidades da sua casa. ''Posso até fazer economia nas compras mas acabo gastando mais em combustível e, por isso, acho que não compensa. A não ser se pegarmos promoção, mas não tenho tempo para isso'', justifica.
O contador Mauro Marques acredita que os preços tenham se mantido estáveis. ''Uns produtos subiram e outros baixaram mas, no geral, estou gastando praticamente a mesma coisa'', observa. Já a dona de casa Patrícia Lopes Rodrigues é um pouco mais atenta. Ela percebeu redução de preços de alguns itens como óleo de soja, sal e arroz. O dinheiro economizado neste mês, por exemplo, foi canalizado para compra de mais produtos como leite, margarina, carne e verduras. ''Com a diferença também passei a comprar bolachas e iogurtes'', diz. (F.M.)

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