Maioria dos brasileiros ainda compra por impulso
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quarta-feira, 13 de março de 2013
João Fortes<br>Reportagem Local 
A última aquisição importante da pedagoga Janete Ramos Pontes foi um carro, que ela comprou no ano passado. A decisão foi tomada em 2011, quando iniciou o planejamento da compra e começou a juntar o dinheiro necessário, tanto para o veículo quanto para as taxas e outros gastos relativos. A vontade era de ter um modelo zero km, mas mesmo negociando o carro que possuía como entrada, calculou que o orçamento só permitia a compra de um seminovo.
O exemplo é de uma consumidora que parece ser mais uma exceção do que a regra no Brasil. É o que aponta uma pesquisa feita pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) Brasil e a Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL), que colheu depoimentos de 646 pessoas entre 27 capitais. A margem de erro é de 3,9% a um intervalo de confiança de 95%.
De acordo com o estudo, 57% dos entrevistados já fez ou costuma fazer compras sem um planejamento prévio, ou seja, por impulso. A maioria deles (54%) afirmou que têm essa prática de forma esporádica e 24% com frequência. Apenas 15% disse que nunca compra por impulso, sobrando ainda 7% que admitiram sempre comprar sem qualquer planejamento.
Responsável pela pesquisa, a economista do SPC Brasil Ana Paula Bastos destaca que questões de ordem emocional são predominantes entre os motivos que levam os consumidores a adquirir um bem por impulso. A maior parte, 47%, destacou a ansiedade para um evento que se aproxima como a principal justificativa, sendo essa uma característica ainda mais marcante entre os entrevistados das classe A e B. Já a baixa autoestima ou insatisfação com a aparência foram consideradas ações decisivas entre os consumidores das classes C e D, sendo esse ponto destacado por 44% de todos os entrevistados. "Na busca pelo prazer imediato ou para exibir um estilo de vida que não condiz com a própria renda, o comprador se alivia momentaneamente, sem se importar com o futuro do próprio bolso", afirma Ana Paula.
Quando se trata de compras a prazo, o estudo revela que os consumidores estão mais preocupados se as parcelas cabem no bolso (37%) do que com as taxas de juros cobradas (31%) ou com o valor final da compra (20%). Apenas 12% dos entrevistados afirmaram que nunca parcelam qualquer compra.
Poupar dinheiro, então, parece ser um grande desafio para os brasileiros, conforma a pesquisa, na qual 42% dos consumidores entrevistados responderam que não guardam nenhuma parte dos rendimentos. Por conta da renda menor, membros das classes C e D respondem por 53% dessa parcela.
Sem uma reserva para imprevistos, a maioria dos entrevistados (50%) que afirma não poupar estimou que, no caso de perder todas suas fontes de renda, conseguiriam manter o mesmo padrão de vida por menos de um mês.
Algo bem diferente do que afirmam 42% dos consumidores que conseguem poupar 10% do orçamento. A capacidade deles de se manter pode chegar a três meses.
Ter um bom planejamento orçamentário, evitar comprar desnecessárias e, principalmente, buscar mais informação seriam soluções interessantes para os consumidores, segundo a economista do SPC. Ela ressalta que embora a maioria dos entrevistados da pesquisa (64%) tenha respondido que faz um acompanhamento de suas finanças, ainda não acertam na maneira de fazer isso. Cerca de 55% faz o acompanhamento através de extratos bancários, 51% por caderno de anotações e 45% através de faturas de cartão de crédito. "O ideal mesmo é uma planilha, bem organizada", orienta Ana Paula.
A falta de consciência na forma de lidar com o próprio dinheiro, segundo a economista, traz o perigo da inadimplência. Mesmo assim, a conclusão da pesquisa é otimista sobre os consumidores brasileiros. "Acho que está mudando esse perfil. Muitas pessoas estão tendo maior acesso à escolaridade e, com isso, mais informação sobre como consumir de forma consciente."

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