Maioria dos analistas aposta que Selic será mantida em 16,5%
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terça-feira, 17 de fevereiro de 2004
Agência Estado 
São Paulo - De um total de 51 instituições financeiras consultadas pela Agência Estado, 47 prevêem manutenção da taxa básica de juros em 16,5% ao ano na 93 reunião Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, que termina hoje. A maioria dos analistas, ou 92,15% do universo consultado, acredita que o BC será coerente com a ata da reunião de janeiro, que mostrava preocupação com a taxa de inflação, em especial, com a previsão para o acumulado no primeiro trimestre como um canal de transmissão que poderia contaminar os três últimos trimestre do ano.
Esse fator já está ocorrendo, na opinião do economista-sênior do BankBoston, Marcelo Cypriano. Ele cita a expectativa para a inflação nos três primeiros meses do ano, segundo as instituições Top 5 do Banco Central, que subiu de 1,70% para 1,90%. O mesmo raciocínio foi utilizado no cálculo de Elson Teles, economista e sócio da Fides Asset Management. ''Se havia justificativa para o BC manter os juros no mês passado, agora tem mais ainda'', afirmou, após replicar o modelo usado pelo BC.
Outro indicador que está preocupando o mercado e que foi destacado na última ata do Copom é o índice de difusão de inflação, que subiu de 68,4% do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechado de dezembro para 70,9% no primeiro mês deste ano. O índice de difusão é o que identifica o número de produtos com movimentos altistas dentro do IPCA relativamente ao total de produtos que compõem o índice.
Esta é uma variável que está sendo monitorada pelos economistas do Banco Santander, que também aposta na manutenção da Selic. Já para o analista Cristiano Souza, da MB Associados, este indicador não oferece risco porque há uma série de outros fatores que barram a disseminação de preços, como baixo rendimento da população e desemprego. ''Não vemos ameaça inflacionária'', resumiu.
Para alguns analistas, os diretores do BC não reduzirão os juros este mês para não demonstrarem que estão perdidos entre números e expectativas. Um dos que apostam na manutenção por este motivo é o superintendente do Banco Rendimento, Carlos Eduardo de Andrade Júnior. Outros salientam que, neste momento, mais importante do que a decisão em si é o recado que será passado para a próxima reunião a partir da primeira nota que é divulgada logo após o anúncio da nova taxa.
Entre os que projetam queda da taxa de juros, o destaque fica para o chefe de Tesouraria do Société Générale, Flávio Bojikian, que espera uma redução de 1 ponto porcentual da Selic, para 15,5% ao ano. Na opinião dele, os últimos indicadores de inflação não vieram tão ruins quanto previa a ata da reunião de janeiro. Na mesma linha otimista, mas demonstrando um pouco mais de cautela estão os representantes das instituições Cruzeiro do Sul, Planner Corretora e Clickinvest, que prevêem um corte de 0,25 ponto porcentual.


