Brasília O grau de satisfação da maioria dos 40 milhões de usuários de planos de saúde no País é alto, como constata pesquisa encomendada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). ''A pesquisa também revelou que o usuário conhece melhor os seus direitos'', afirmou o diretor-presidente da ANS, Januário Montone.
Dos 2.700 entrevistados em domicílios de 51 capitais e cidades com mais de 50 mil habitantes, 84% declararam que estão satisfeitos com seus planos de saúde e apenas 6%, insatisfeitos. A maioria dos usuários (79%) não tem interesse em mudar para um novo plano, mas 10% manifestaram esse desejo. Em São Paulo, 1.200 pessoas em 16 cidades, incluindo a capital, foram ouvidas.
A pesquisa, realizada pela empresa Ipsos Opinion Brasil, prova que os associados têm bom conhecimento dos 15 principais direitos assegurados a eles na Lei dos Planos de Saúde. A exigência de o contrato trazer regras claras para aumento de mensalidades é de domínio de 75% dos entrevistados; 51% dos ouvidos sabem que é proibida a interrupção de internação hospitalar, incluindo UTI, mesmo que ultrapasse o prazo previsto em contrato.
Segundo a pesquisa, no máximo 6% tiveram direitos negados. Entre eles, 2,4 milhões se queixaram de desrespeito ao direito ilimitado a consultas e diárias de internação em UTI. Outros 400 mil denunciaram os planos por terem cobrado aumento de mensalidade por mudança de faixa etária dos maiores de 60 anos que tinham mais de dez anos de inscrição no mesmo convênio. Este reajuste é vedado.
Complicações O consumidor tem noção dos principais direitos, mas ainda patina nos pontos mais complicados da legislação. Montone explica que isso pode gerar problemas no momento em que a pessoa necessitar de atendimento. Um exemplo é o associado esquecer de inscrever o filho no plano nos 30 primeiros dias após o nascimento. Se cumprir o prazo, a criança não tem carência mesmo se nascer com alguma doença congênita. Ao preencher o contrato, a pessoa que sabe ser portadora de uma doença preexistente precisa declarar. Do contrário, a operadora pode romper o contrato.
Montone também informa que 65% dos usuários continuam associados a planos assinados antes de 1999, quando passou a vigorar legislação regulamentando o setor. Elas podem ser prejudicadas na cobertura assistencial porque planos antigos não abrangiam cirurgias e procedimentos complexos. ''Antes da lei, os planos não eram obrigados a oferecer hemodiálise'', exemplifica Montone. ''Os planos novos oferecem mais serviços que os velhos e é evidente que o preço não é o mesmo.''
Os resultados se contrapõem aos números dos Procons, onde os planos de saúde aparecem entre os campeões de queixas. Montone reconhece que a repercussão social cria uma imagem ruim dos planos. ''A pesquisa desmistifica essa imagem'', diz.

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