Arquivo FolhaSuperofertaA projeção da Apinco prevê uma produção recorde de 2,724 bilhões de pintinhos neste ano SÃO PAULO - A previsão de um crescimento de 5,5% na produção de pintos de corte este ano no País é um dado preocupante para a indústria de produtos de carne de frango, pois não há expectativa de um aumento similar na demanda, ao menos no mercado interno. Além disso, no ano passado, o consumo per capita de frango já registrou uma diminuição, passando de 23 para 22,3 quilos, devido aos preços mais baixos das carnes bovina e suína, que deram outras opções de compra ao consumidor, segundo o diretor-executivo da União Brasileira de Avicultura (UBA), Clóvis Púperi.
A projeção feita pela Associação Brasileira dos Produtores de Pinto de Corte (Apinco), divulgada em fevereiro, prevê uma produção recorde de 2,724 bilhões de unidades neste ano, com utilização de 96,25% da capacidade instalada do setor.
Para o diretor de relações institucionais da Perdigão, Ricardo Menezes, o número estimado é preocupante, pois indica novamente um mercado superofertado, depois de um ano de queda no consumo brasileiro. ‘‘No ano passado, algumas empresas se prepararam para um mercado que não houve e trabalharam com margens negativas’’, disse. Outras grandes empresas, quando perceberam que havia muita oferta no mercado, se direcionaram para o Exterior, segundo Menezes, com destaque para a União Européia, onde a ‘‘crise da vaca louca’’ fez aumentar a demanda por frango.
Outro fator que fez as empresas reverem seu planejamento no ano passado foi a alta dos preços dos grãos, principalmente o milho, que encareceu o custo de produção. A estratégia da Perdigão para 97, de acordo com Ricardo, é continuar diminuindo sua participação no mercado de commodities. A empresa está centrando seus negócios em produtos de maior valor agregado, como a carne de frango em pedaços.
Se a previsão da Apinco se concretizar, o setor poderia ter um achatamento em suas margens, na avaliação do diretor da divisão de carnes in natura da Sadia, Nelson Dalcanale. Segundo ele, o consumo teria de crescer na mesma ordem que a produção para o setor não registrar prejuízos. No entanto, Dalcanale prevê que o consumo nacional deve ficar pouco acima do ano passado, cerca de 2%.
O diretor-executivo da UBA, Clóvis Púperi, também não acredita num forte crescimento da demanda, o que depende de um aumento no poder aquisitivo. ‘‘Com o Plano Real, houve aumento no consumo de frango, mas ele chegou ao limite’’, disse Púperi. De 94, início do Plano Real, para 95, o consumo de frango cresceu de 19 quilos per capita para 23 quilos, conforme dados da Associação Paulista de Avicultura (APA), em função da estabilização econômica. Para o superintendente da APA, José Carlos Teixeira da Silva, o consumo per capita deve se recuperar em 97, voltando aos 23 quilos, um aumento de cerca de 3%. O restante do crescimento previsto para a produção deve ser direcionado para a exportação, segundo Teixeira da Silva.
Opção O diretor da divisão de carnes da Ceval, Sérgio Waldrich, disse que a indústria está cautelosa este ano, devido ao desempenho fraco de 96, quando a produção de pintos de corte cresceu apenas 2,2% e o consumo caiu. O setor continua a investir, segundo ele, mas em níveis bem abaixo do que foi investido em 94, ano da explosão do consumo e de um crescimento de 9,9% na produção de pintos.
Com a perspectiva de uma oferta ajustada à demanda, e para ficar menos exposta aos altos e baixos do mercado interno, a Ceval espera ampliar suas exportações de frango este ano, para cerca de 100 mil toneladas, de acordo com Waldrich. O número é 10% maior que o registrado em 96, quando as exportações totais brasileiras atingiram 565 mil toneladas, conforme dados da Associação Brasileira dos Exportadores de Frango, ante 430 mil toneladas em 95.

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