O Paraná, que já foi o maior produtor nacional, hoje tem apenas 2,24% do faturamento total dos cafés
O Paraná, que já foi o maior produtor nacional, hoje tem apenas 2,24% do faturamento total dos cafés | Foto: Marcos Zanutto/15-05-2018


A receita bruta estimada para as lavouras de cafés do Brasil neste ano é de cerca de R$ 23,952 bilhões, valor 9% maior que os R$ 21,96 bilhões do ano passado. As informações são do Mapa (Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento) e foram compilados pela Embrapa Café. Os valores são calculados pelo ministério em formato de VBP (Valor Bruto da Produção), que é a produção multiplicada pelos preços médios.

Segundo o economista e professor universitário Eugênio Stefanelo, o crescimento do VBP se deu devido à produção, uma vez que os preços do café estão estáveis. Ele lembra que a cultura é caracterizada pela bianualidade, alternando uma safra maior e outra menor. "Independentemente do fator climático, a produção é maior num ano e menor no outro. E neste ano estamos no ano de maior produção", afirma.

De acordo com o Mapa, o VBP do café arábica é de R$ 19,45 bilhões neste ano, o que equivale a aproximadamente a 81% do total. O conilon tem R$ 4,5 bilhões ou 19%. O faturamento bruto das lavouras brasileiras como um todo foi estimado em R$ 377 bilhões, sendo que os cafés, quinto no ranking das maiores receitas, respondem por 6,4% desse montante.

Em primeiro lugar, estão as lavouras de soja, com R$ 134,15 bilhões – equivalente a aproximadamente 35%; em segundo, cana-de-açúcar, com R$ 67,78 bilhões – 18%; em terceiro, o milho, com R$ 45,40 bilhões – 12%; em quarto, o algodão herbáceo, com R$ 29,91 bilhões (8%). Depois vem o café.

REGIONAL
O Paraná, que já foi o maior produtor nacional, hoje tem apenas 2,24% do faturamento total dos cafés. São R$ 538,2 milhões. É o único Estado do Sul a produzir o grão. A maior parte da produção (88,4%) está no Sudeste do País, com R$ 21,19 bilhões de VBP. O Nordeste, onde a cultura está presente no Ceará, Pernambuco e Bahia, somou R$ 1,19 bilhão de faturamento, ou 5% do total.

No Norte (Rondônia, Acre, Amazonas e Pará), o VBP é de R$ 843,50 milhões (3,5%). Por último, vem o Centro-Oeste, que produz café nos estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal, e atingiu o montante de R$ 183,04 milhões (0,76%).

De acordo com Stefanelo, a seca nos meses de abril e maio, no Paraná, pouco prejudicou a produção local de café, que é concentrada na região Norte. "Não houve comprometimento significativo."

Paulo Franzini, economista do Deral (Departamento de Economia Rural), ressalta que o VBP considera um valor médio de R$ 413 para a saca de café. "Os preços recebidos pelos produtores do Paraná estão nesta faixa. São valores baixos que deixam equilibrados o custo e a valor de venda." No ano passado, de acordo com ele, a saca saía a R$ 439 para o produtor do Paraná. "O VBP só foi maior devido à bianualidade", reforça.

Franzini não vê perspectivas de que o preço melhore neste ano. "Os maiores produtores, Brasil, Vietnã e Colômbia, terão safras altas e há um equilíbrio mundial entre oferta, consumo e estoques", diz ele.
Além disso, de acordo com o economista do Deral, o cenário econômico mundial, com as disputas comerciais entre Estados Unidos e China, seguram os preços de todas as commodities.

OBSERVATÓRIO
Todas as edições mensais do VBP(Valor Bruto da Produção), desde julho de 2014, estão disponíveis no site do Observatório do Café, desenvolvido pela Embrapa Café. Para o ano de 2018, como os dados de julho ainda não foram computados, foram considerados os preços médios de janeiro a junho. Os preços de café utilizados para calcular o VBP referem-se ao café arábica tipo 6, bebida dura para melhor e café robusta tipo 6, peneira 13 acima, com 86 defeitos.

Outro documento importante de análise do setor cafeeiro divulgado mensalmente com análises da conjuntura do café é o Sumário Executivo do Café, no mesmo site. O estudo contempla os seguintes tópicos: quadro de suprimento de café em nível global e, nesse caso, aborda a produção do Vietnã, Colômbia e Brasil. Traz quadros comparativos de área, produção e produtividade de café em grãos (arábica, robusta e total), e, ainda, evolução mensal das exportações e importações brasileiras de café, estoques privados e públicos, preços mínimos, operações de vendas dos estoques governamentais de café – 2016 e 2017.

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