Maior pólo exportador do Paraná, em Foz do Iguaçu, foi 'dizimado'
Maior pólo exportador do Paraná,
em Foz do Iguaçu, foi dizimado
Sílvio VeraComércio da Vila Portes: shopping center a céu aberto abandonadoLúcio Flávio Moura
Especial para a Folha
As principais conquistas do Plano Real - moeda forte e a estabilidade econômica - praticamente dizimaram o maior pólo exportador do Estado. Os bairros da Vila Portes e do Jardim Jupira - região de Foz do Iguaçu que chegou a abrigar aproximadamente 450 exportadores - lembram um grande shopping center a céu aberto abandonado.
Hoje, permanecem os heróis, que lutam pelo patrimônio que construíram na época das vendas altas, resume Tibiriça Botto Guimarães, presidente da Associação Comercial e Industrial de Foz do Iguaçu, lembrando os 69 exportadores que resistiram à meia década de vendas incipientes.
Próxima a Ponte da Amizade (que liga Foz a Ciudad del Este, no Paraguai), a região sofreu com a política cambial dos quatro primeiros anos da nova moeda. No centro comercial vendia-se de tudo para paraguaios e argentinos. De biscoitos a brinquedos, de roupas a autopeças.
Os empresários dos países vizinhos se beneficiavam do baixo valor, em dólar, dos produtos brasileiros vendidos em Foz do Iguaçu. Quando o plano estabeleceu a paridade cambial, foi um caos. Nossos antigos compradores acharam mais vantajoso negociar diretamente com as indústrias na Ásia e Estados Unidos, explica Botto Guimarães.
O funcionamento do Mercosul impediu a recuperação gradual das vendas este ano, depois da grande desvalorização do real ocorrida em janeiro. Além de reforçar a fiscalização na aduana em Ciudad del Este, o governo paraguaio passou a pôr em prática determinações do tratado para impedir o trânsito livre de mercadorias entre as duas cidades.
Sacoleiros Walter de Barros Negrão, presidente da Associação de Vendedores Ambulantes de Foz do Iguaçu, acredita que o real também prejudicou os sacoleiros. Entramos em uma concorrência desigual com os grandes importadores, que passaram a ter um câmbio muito favorável.
Negrão lembra que a entidade que preside já teve 1,5 mil filiados pagantes (em 1993), hoje conta com 250, a maioria inadimplente. Boa parte dos desempregados que montaram barracas para vender mercadoria do Paraguai se deram bem até o real, depois, com as vendas fracas, desistiram e foram ser laranjas ou cigarreiros, explica Negrão, considerado um líder pelos sacoleiros.





