"A inovação é a força primária que conduz ao desenvolvimento, e a sustentação estratégica para construir uma economia moderna." A frase, de Xi Jinping, presidente da República Popular da China, traduz a estratégia atual de desenvolvimento do país. A inovação foi tratada como prioridade em um plano de cinco anos de desenvolvimento econômico e social da China no 18º Congresso Nacional do Partido Comunista da China, realizado em 2015.

Em 2017, os gastos do país com Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) chegaram a US$ 260 bilhões, um quinto do total gasto mundialmente. A China é o segundo país com maior volume de gastos com P&D no mundo, ultrapassando o Japão em meados de 2012. Os Estados Unidos vêm em primeiro lugar. Os dados foram apresentados por Changlin Gao, conselheiro da Embaixada da República Popular da China no Brasil. Ele esteve em Londrina na quinta-feira (29) para proferir a palestra "O desenvolvimento da Ciência e Tecnologia na China".

Changlin Gao: "Inovação é nossa estratégia nacional"
Changlin Gao: "Inovação é nossa estratégia nacional" | Foto: Anderson Coelho



"Inovação é nossa estratégia nacional. É importante para o governo investir em Pesquisa e Desenvolvimento", comentou Gao. Na china, 78% dos gastos com P&D vêm das empresas. "O investimento do governo é muito importante, mas para impulsionar a inovação tecnológica precisamos também encorajar indústrias e setores privados a investir em Pesquisa e Desenvolvimento."

Segundo Gao, a China estimula o setor privado a investir em P&D através de incentivos fiscais. "Temos uma série de políticas para incentivar esse tipo de atividade nas empresas. Por exemplo, algumas políticas de taxações para reduzir os impostos de companhias que conduzem esse tipo de atividade. Politicas para encorajar empesas a investir em Pesquisa e Desenvolvimento."

O conselheiro Embaixada da República Popular da China no Brasil é mestre em filosofia de ciência e tecnologia pela Renmin University of China e diretor do Centro de Intercâmbio, Desenvolvimento e Serviços para Talentos de Ciência e Tecnologia da China, além de exercer outras atividades na área.

ESTRUTURA

O país oriental conta com 1.700 institutos de pesquisa governamentais, 2,5 mil instituições de ensino superior, 489 laboratórios nacionais, 359 centros de pesquisa para engenharia tecnológica, 168 parques industriais de ciência e tecnologia (dados de março de 2018), 91 mil empresas de alta tecnologia (dados de 2016), 3.255 incubadoras, 4.298 espaços maker com 133,3 mil startups (dados de 2016) e 2,4 mil centros de pesquisa e desenvolvimento de empresas estrangeiras.

Conforme afirma Changlin Gao, dados do Banco Mundial de 2018 mostram que a exportação de alta tecnologia chinesa em valores monetários ultrapassou a dos EUA em meados de 2004, chegando a quase US$ 500 bilhões em 2016. O número de artigos publicados pelos chineses em periódicos científicos em 2017, segundo a Scopus, foi de 492,9 mil, contra 546,6 mil dos EUA e 68,7 do Brasil. De acordo com dados da WPO Statistics Database, de setembro de 2017, das 3,1 milhões de patentes depositadas no mundo naquele ano, 42,8% são da China e 19,4% são dos EUA.

A estimativa é que o número de pesquisadores e pessoal de apoio envolvidos em Pesquisa e Desenvolvimento em período integral no país tenha ultrapassado os 3,5 milhões contra menos de 500 mil no Brasil em 2016.

COOPERAÇÃO

Em um fórum de cooperação internacional realizado em Beijing em 2017, o presidente da República Popular da China anunciou que o país está determinado a construir uma "estrada para a inovação" a partir de um plano de ação de inovação em ciência e tecnologia. O plano tem atuação em campos-chave como agricultura, energia, transporte, inovação, ciência e tecnologia, recursos, meio ambiente, oceano, manufatura avançada, novos materiais, aeroespacial, saúde e medicina e prevenção e mitigação de desastres através do diálogo, de parcerias, plataformas de cooperação e participação das empresas. Bons resultados já teriam sido alcançados em termos de troca de conhecimento entre pessoas na ciência e na tecnologia; estabelecimento conjunto de laboratórios; cooperação em parques científicos; e transferência de tecnologia.

Sobre a cooperação entre Brasil e China na área de ciência, tecnologia e inovação, Gao citou a parceria com o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) no setor espacial para sensoriamento remoto por meio de satélites; o estabelecimento de sete laboratórios ou centros de pesquisa conjuntos em diversas áreas do conhecimento (ciências agrárias, nanotecnologia, mudanças climáticas e inovação em tecnologia energética, clima espacial, tecnologias para o mar profundo, biotecnologia e satélites meteorológicos); e parcerias com companhias chinesas como Huawei, ZTE e BYD na área de tecnologias inovadoras como cidades inteligentes, cidades digitais, computação na nuvem, Big Data e novas fontes de energia.

O conselheiro da Embaixada da República Popular da China no Brasil veio a Londrina a convite do deputado federal Alex Canziani, presidente da Frente Parlamentar da Educação do Congresso Nacional. O evento teve o apoiado pela Codel, Acil e do APL da Tecnologia da Informação e Comunicação de Londrina.

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