Maior lucro fica com o produtor
Para conseguir um lugar no chamado ''Mercado Justo'' francês, os projetos têm que comprovar que pelo menos 50% do lucro obtido com a venda dos produtos artesanais será revertido para quem os produz. No caso dos cachecóis de Nova Esperança, os participantes da iniciativa ficam com 53% do valor pago pelo consumidor final. Por isso, o cachecol significa um recomeço para a comunidade da Vila Rural Esperança, que viu o preço do quilo do casulo da seda despencar nos últimos anos acompanhando a desvalorização do dólar.
Conforme o secretário municipal de Agricultura, Edgar Moser Júnior, cada cachecol vendido em euro na França rendeu R$ 16 para quem o produziu. Como a quantidade enviada ainda foi pequena, o retorno não modificou a vida de ninguém mas aguçou a vontade de produzir cada vez mais. Pelos cálculos da secretaria, se for revendido no Brasil o cachecol pode ser ainda mais rentável: por causa dos custos menores com o envio, cada trabalhador receberia R$ 1 a mais por peça.
Os outros 47% do valor de venda cobrem os custos de produção. Os sericicultores precisam adquirir os casulos de segunda (o quilo custa R$ 2,30), bem mais baratos do que os primeira linha (que chegam a R$ 6,50). Além disso, existem os custos com a transformação do casulo em fio, com o tingimento e com o envio até o ponto de venda.
Há que se lembrar que o quilo da seda é cotado em dólar. Nos últimos anos, a desvalorização da moeda americana acabou derrubando os preços. Consequentemente, os sericicultores da região - que abastecem duas grandes indústrias de fiação de seda na região - viram sua renda minguar. Reflexo disso é que alguns dos trabalhadores que se dedicavam a criação de bicho-da-seda acabaram desistindo da atividade para se arriscar em outras culturas ou trabalhar em outras atividades.(L.A.)





