Brasília - Na avaliação da equipe de Palocci, o maior erro foi não ter atacado, de início, o desequilíbrio das contas públicas. ''Entre 1994 e 1998, a taxa média de crescimento dos gastos primários reais do governo foi de aproximadamente 5%, bem superior à taxa média de crescimento real do PIB observada no período, de 3,2%'', diz o documento.
Por essa razão, um dos primeiros atos da equipe econômica do governo Lula foi anunciar que elevaria a meta de superávit primário de 3,75% para 4,25% do PIB. Esse é o valor que os governos federal, estaduais, municipais e empresas estatais economizarão a cada ano para pagar a dívida pública.
Com esse nível de poupança, acredita a equipe econômica, será possível reduzir o tamanho da dívida em relação ao PIB. Nos meses mais nervosos de 2002, ultrapassou 60% do PIB. Em maio, estava em 56,8%, mas é preciso reduzi-la mais.
Para a equipe de Palocci, o governo anterior perdeu uma boa chance de resolver esse problema a um custo mais baixo. ''Caso o governo brasileiro tivesse realizado um superávit primário de 3,5% do PIB ao ano durante os últimos oito anos, a relação dívida/PIB hoje seria a metade da observada'', diz o texto do ''Política Econômica e Reformas Estruturais''.
O documento acrescenta que é preciso sair dessa ''armadilha'' para que a economia possa crescer de forma sustentada. Outro problema foi a manutenção da ''âncora cambial'' por mais tempo do que o recomendável. O déficit em transações correntes saiu de US$ 1,8 bilhão em 1994 para US$ 33,4 bilhões em 1998, o ano anterior à adoção do câmbio flutuante.
Em entrevista à revista ''Carta Capital'', em fevereiro de 2003, Palocci disse: Fernando Henrique ''não fez o ajuste do câmbio na hora certa, embora o Brasil inteiro visse que aquele câmbio não podia permanecer como estava. Foi uma teimosia que custou muito caro ao Brasil''. (AE)

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