Maior agência do Paraná fecha as portas
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quarta-feira, 05 de fevereiro de 1997
Carmem Murara Sucursal de Curitiba 
A operadora e agência CWB Turismo Ltda, a maior do Estado e uma das 50 maiores do País, está desde anteontem com as portas fechadas. A empresa encerrou suas atividades sem avisar funcionários e clientes. Os donos da empresa desapareceram e quem procurou informações sobre pacotes turísticos e passagens compradas ficou sem resposta. Algumas pessoas que embarcaram para viagens compradas na agência encontram problemas nas companhias aéreas e hotéis, que estão recusando os clientes.
A CWB manteve as atividades normais até sexta-feira. No sábado, o dono da empresa, Ricardo Luz, acompanhado de mais três pessoas, retirou todos os papéis e equipamentos do escritório e loja, que ficam no centro de Curitiba. Quando os funcionários chegaram para trabalhar, na segunda-feira, encontraram as portas trancadas.
Ninguém sabia dizer o que aconteceu. Simplesmente, fomos informados que a agência tinha fechado, afirmou o assistente de operações internacionais da CWB, George Guimarães de Moraes. A operadora tinha cerca de 50 funcionários. A maioria foi avisada da demissão na quinta-feira. Segundo Moraes, a empresa deve a eles o salário e vale-transporte.
Junto com a Soletur, a CWB dividia o título de operadora com maior número de clientes e emissão de passagens na cidade. Por dia, a agência emitia uma média de 200 passagens. Ela chegou a fretar um avião por dia para a Bahia, nos meses de temporada.
A situação começou a ficar crítica no segundo semestre do ano passado. Segundo a regional paranaense da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav), a CWB estava com uma dívida de R$ 2,5 milhões junto a fornecedores.
A insolvência da empresa só veio à tona há duas semanas, quando ela deixou de pagar algumas empresas de aviação, como a Rio Sul e Varig. A reação das empresas aéreas foi imediata. Elas mandaram retirar os bilhetes dados em consignação. A maioria das agências de turismo parou de trabalhar com a operadora CWB. Cerca de 70% das operações se davam diretamente com clientes e não mais com as agências.
O vice-presidente da Abav-PR, Antonio Azevedo, disse que ontem começaram a chegar notícias de clientes da CWB que estão com dificuldades de conseguir fazer as viagens já pagas através dos pacotes. Soubemos de um caso, onde a pessoa foi informada no hotel onde ficaria em Salvador, que as diárias não foram pagas pela CWB, contou.
Outro caso semelhante aconteceu no aeroporto de Salvador. O passageiro, que viajou com passagem comprada na CWB, teve seu traslado recusado pelo funcionário do hotel onde ele ficaria hospedado. O voucher, documento que garante a reserva no hotel, não tinha sido pago. O diretor de operações da CWB, Arnaldo Levandoski, tinha garantido à Abav que todos os pacotes seriam honrados.
O presidente do Procon, Jaime Kreusch, orientou os clientes da CWB a se garantirem antes de embarcar. É melhor ligar para o hotel e para a companhia aérea para saber se esta tudo certo.


