São Paulo O governador eleito do Mato Grosso, Blairo Maggi (PPS), um dos maiores produtores de soja e algodão do País, sugeriu ontem, em São Paulo, ao presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, que mantenha o ministro da Agricultura, Marcus Vinícius Pratini de Moraes. ''Eu defendi esse nome junto ao presidente eleito e disse mais: 'Se houvesse uma eleição direta para escolher o ministro da Agricultura, com certeza, Pratini de Morais ganharia, disparadamente, no setor do agronegócio''', disse.
Maggi, no entanto, ressaltou a falta de condições políticas para que isso ocorra porque Pratini, é do PPB, que promete fazer oposição ao governo Lula. Em 2001, o ministro da Agricultura e o atual presidente eleito desentenderam-se, publicamente, por causa de declarações de Lula interpretadas como defesa do protecionismo agrícola francês. O ministro acusou-o de ser ''antipatriótico''. No início da década de 1970, Pratini foi ministro da Indústria e Comércio do governo do general Emílio Garrastazu Médici.
''Claro que nós entendemos as composições políticas, os compromissos políticos, mas, se eu pudesse indicar, faria a indicação desse nome'', afirmou o governador eleito do Mato Grosso. Maggi evitou afirmar qual foi a reação de Lula em relação à proposta e diminuiu o tom sobre a idéia feita a ele. ''Só comentei que, se o ministro fosse eleito pelo povo, com certeza, o setor agrícola faria a escolha de Pratini de Moraes, mas isso não significa que o presidente eleito tenha de ouvir isso'', esquivou-se.
Ele disse ter pedido a Lula para ser ouvido sempre que a agricultura seja discutida no futuro governo e que a opinião dele pese na escolha do próximo ministro da área. ''Gostaria de estar presente, sugerindo ou pelo menos ajudando na escolha de um nome que tenha o perfil que nós esperamos, que dê continuidade ao que o ministro Pratini de Morais fez até agora nesse governo.'' Maggi disse que quer opinar não como membro no PPS e sim como agricultor envolvido com o assunto.
''Temos de buscar alguém que tenha o perfil de comandar a agricultura nacional dentro do que hoje o agronegócio exige, da eficiência, da transparência e da ousadia: se nós não buscarmos outros mercados, derrubarmos as barreiras sanitárias, inclusive brigar contra as barreiras ecológicas, dificilmente, o Brasil vai fazer mais do que está fazendo hoje.''

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