Maggi defende avanço sobre florestas
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quinta-feira, 18 de setembro de 2003
Sandra Sato e Fabíola Salvador<br>Agência Estado 
Brasília O governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PPS), se viu ontem numa saia justa com a reprodução de declarações que deu ao jornal norte-americano The New York Times (NYT) defendendo o avanço do plantio de soja na Amazônia Legal, justamente no dia em que tinha audiências no Ministério do Meio Ambiente e no Banco do Brasil (BB). Ele garantiu que foi mal interpretado, mas voltou a admitir não sentir culpa pela conversão de áreas de Floresta Amazônica em plantações de soja.
''É claro que não sinto. Eu sou um cidadão brasileiro, um governador que precisa defender o emprego e a renda neste País'', disse o governador, alterando o tom de voz, na saída de um encontro com a ministra Marina Silva para discutir projeto de construção de uma ferrovia no Pantanal Mato-Grossense.
O NYT atribuiu a Maggi a seguinte afirmação: ''Para mim, um aumento de 40% do desmatamento não significa nada e não sinto a menor culpa pelo que estamos fazendo aqui.'' O governador explicou que porcentual se refere ao aumento de corte da floresta do ano passado em relação ao ano anterior. ''Obviamente, se fosse falar em 40% da Amazônia como um todo, seria uma loucura.'' Segundo Maggi, apenas 12,3% do território da Amazônia foi desmatado até agora e a agricultura ocupa 1,48% desta área, sendo 0,9% por soja.
O governador, um dos maiores plantadores de soja do País, também não esconde os planos de ampliar a fronteira agrícola. ''Milhares de produtores agrícolas querem ampliar suas áreas.'' Mas ele assegura que essa ampliação ocorrerá dentro do permitido pelo Código Floretal. Na Amazônia Legal, pode-se desmatar 20% da propriedade, em áreas de floresta, e até 65% em áreas de cerrado. O governador diz que não há perigo de a Amazônia ser tomada pela agricultura porque a legislação não dá escala para produzir.
Maggi estimou que, para produzir safra adicional de 24 milhões de toneladas de grãos diferença entre a produção atual e a estimada para daqui a dez anos , será necessário cultivar 20 milhões de hectares em Mato Grosso. Ele comentou que na área da Amazônia caberiam todos os países da Europa e sobraria espaço para mais duas Inglaterras. ''Será que o Brasil pode abrir mão deste desenvolvimento, não só na agricultura, mas na pesca e na exploração madeireira? O foco está errado.''
Esta não é, porém, a opinião da ministra Marina Silva, que integra grupo interministerial que prepara medidas de combate ao desmatamento. Ela considera a soja um perigo para a Amazônia por ser uma ''atividade altamente capitalizada'' e prega que o desenvolvimento da região deve combinar a preservação do meio ambiente, justiça social e atividades produtivas sustentáveis e diversificadas.
''Não há espaço na Amazônia para atividades intensivas de monocultura'', afirmou a ministra. Para ela, a expansão de atividade agrícola deve ocorrer em áreas já desmatadas e abandonadas. Só no Estado de Maggi existem de 12 milhões a 15 milhões de hectares abandonados. Segundo ela, seria possível ''até duplicar a produção de grãos sem derrubar nenhuma outra árvore.''


