Maior produtor e exportador de café do mundo, com 35 milhões de sacas comercializadas no mercado externo na safra de julho de 2015 a junho de 2016, o País deverá importar o grão nesta safra, conforme havia afirmado o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, na última segunda-feira (6). O ministro cogita a liberação da importação de grão verde robusta vietnamita por indústrias brasileiras de café solúvel. Nesta sexta-feira (10), durante visita a Londrina, Maggi reiterou sua intenção.

"O Brasil tem uma crise de abastecimento. Os preços estão muito elevados internamente, o consumidor já paga mais caro por isso, mas a indústria de café no Brasil, que é a indústria transformadora em café solúvel, perdeu totalmente a capacidade no mercado internacional", justificou.

Segundo ele, no mês passado houve uma redução em torno de 30% na capacidade de venda, o que compromete as negociações futuras. "Isso é muito ruim porque nós vamos destruindo a nossa indústria, e nos próximos anos, quando voltarmos a ter uma produção alta de café, nós provavelmente não teremos essa indústria inserida no mercado mundial", analisou o ministro.

Na sexta-feira, Maggi aguardava um posicionamento dos produtores de café do Espírito Santo que alegaram existir no Brasil uma oferta de 4 milhões de sacas do grão não apuradas no levantamento feito pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). "Estou até o final da tarde de hoje (sexta-feira) aguardando o relatório onde a Conab me mostra que temos 2 milhões de sacas de café e os agricultores falam que têm 4 milhões. Eu acho quase impossível que a Conab não tenha achado 2 milhões de sacas de café no Brasil, mas como eu fiz um compromisso de aguardar até hoje, vou aguardar."

ESCOAMENTO DA SAFRA
Diante da iminência de uma safra recorde neste ano, com previsão de produção de 219 milhões de toneladas, 32 milhões a mais que em 2016, Maggi admitiu que deve haver uma pressão maior sobre os portos para garantir o escoamento da safra, mas que os produtores não devem enfrentar dificuldades. "Nos últimos anos o Brasil avançou muito. Em 2013 houve uma mudança na legislação dos portos e várias estruturas foram criadas para embarque das mercadorias para o exterior. Nós não temos mais aquelas filas que tínhamos antes", ressaltou. "O Brasil precisa avançar muito nessa área, mas se a gente olhar os últimos 40 anos, quando começa a história da agricultura moderna no País, muita coisa mudou e nós estamos conseguindo avançar."

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