Mães e namorados devem alavancar vendas
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segunda-feira, 27 de abril de 1998
Agência Estado 
Arquivo FolhaA Copa do Mundo deve garantir vendas melhores no segmento de som e imagemO segundo trimestre do ano deverá ser o período em que o comércio varejista dará início ao seu processo de recuperação. De acordo com o analista do Lloyds Bank, Odair Abate, o segmento apresentará seus primeiros resultados concretos a partir do segundo semestre, mas os meses entre abril e junho terão fatos significativos para começar esse processo.
Na avaliação de Abate, as datas comemorativas do Dia das Mães e Dia dos Namorados, respectivamente nos meses de maio e junho, já deverão apresentar uma melhora nas vendas do comércio em relação à Páscoa, embora o consumidor mantenha sua preferência por produtos de valor mais baixo e pagamento à vista.
A queda na taxa de juros para 23,5% ao ano deverá contribuir para essa melhora, ainda que o ritmo de redução seja menor no comércio, em função dos elevados índices de inadimplência.
O analista citou ainda outros fatores que irão beneficiar o segmento: a Copa do Mundo, na França, que terá efeitos positivos nas vendas de produtos de som, imagem e de bebidas, o aumento do salário mínimo para R$ 130,00, além das eleições em outubro, que terão impacto nos empregos temporários.
A tentativa do governo federal de agilizar a aprovação das reformas, em função da morte do ministro das Comunicações, Sérgio Motta, e do deputado Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), na avaliação de Abate, poderia ajudar a consolidar o programa de estabilização da economia brasileira. Isso significaria um crescimento da credibilidade do País, redução de custo Brasil e espaço para maior redução dos juros.
Abate também prevê uma diminuição no ritmo de crescimento da inadimplência no comércio, à medida que os juros forem diminuindo e que caia o medo do desemprego. Esses fatores servirão de base para uma recuperação gradual do crédito.
Para o analista, as vendas à vista devem crescer, o que ajudaria a diminuir os pagamentos atrasados, pois boa parte dos cheques devolvidos são pré-datados. O crescimento relativo das vendas à vista, porém, não deve impedir que o perfil sazonal da inadimplência seja diferente este ano, ressalvou.


