Ficou no passado o hábito de preparar grandes e suntuosos enxovais, antes mesmo de as moças sequer terem um namorado. Antigamente era ''de lei'' que toda jovem iria se casar. Montar enxoval, portanto, fazia parte de um ritual familiar, transmitido de mãe para filha. As ocupações incluíam bordar, costurar, tricotar e sonhar com o casamento desde a adolescência, ao lado da mãe, tias e avós.
Hoje não dá mais tempo para a produção daquelas peças incríveis dos enxovais de outrora. Colchas imensas feitas manualmente em crochê, jogos de lençol em algodão pesado que exigem quarar e engomar, e outras peças artesanais e luxuosas, não tem mais espaço no dia-a-dia, nem nos armários dos jovens casais. Quando herdadas, ficam como antiguidades valiosas. Hoje, a praticidade é que manda.
Mesmo assim, há mães que montam o enxoval quase como antigamente. É o caso de Norma Góes da Rocha Mendes, de 51 anos, mãe de três moças - duas delas já casadas. Pedagoga e dona-de-casa, ela começou a preparar o enxoval da filha mais nova antes de ser marcada a data do casamento. ''Compro peças desde 2007'', explica Norma, acrescentando que a caçula Marcela vai se casar em novembro deste ano. ''Ela não ajuda a escolher nem dá palpite em nada. Foi assim com as outras duas, e funcionou'', conta, rindo, a mãe dedicada.
De acordo com Norma, o trabalho como voluntária em uma escola para deficientes ajuda bastante na função de mãe-de-noiva. ''Conforme eu e as colegas vamos bordando e preparando peças, aproveito para escolher e adquirir algumas para o enxoval'', afirma. Dessa forma, foram entrando na lista jogos de banho, toalhas de mesa, aventais e panos de prato, tudo de acordo com a oportunidade. ''Nem sei o que ela já tem, nem o que falta. Ainda não parei para fazer lista''.
Jogos de cama e outras peças que não são produzidas pelo voluntariado, Norma compra aos poucos em lojas, conforme vão aparecendo ofertas interessantes de boas marcas - porque ela também não abre mão da qualidade.
A dona-de-casa lembra também que não se deve montar enxoval muito grande por conta do risco de se enjoar do estilo dos produtos, além do desgaste ou de ''sair de moda''. ''É importante ter o básico ao casar, mas com o tempo a moça vai querer comprar coisas novas, para variar e modernizar a nova casa'', diz a experiente mãe. Para não errar, ela escolhe peças em estilo e tons tradicionais - ''não tem como não gostar'' - que ganham um toque especial e personalizado com os bordados que ela e as amigas voluntárias produzem.

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