O secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, foi ameaçado de prisão ontem por ter se recusado a testemunhar em processo administrativo movido contra o auditor da Receita Edson Almeida Pedrosa. Pedrosa é acusado de improbidade administrativa, que teria sido cometida quando o auditor foi transferido da sede da Receita, em Brasília, para a regional do Rio de Janeiro. Na ocasião, Pedrosa teria recebido, irregularmente, R$ 8.000 para custear sua mudança. Desde o ano passado, o auditor está sendo investigado por uma comissão interna da Receita por causa dessa acusação.
Pedrosa classifica a acusação de ''ridícula'' e afirma que o processo é uma represália a denúncias que ele fez, no ano passado, de esquemas de contrabando que estariam funcionando na regional da Receita.
Havia sido marcada para ontem, às 9h, uma audiência em que Pedrosa e Maciel iriam prestar depoimento sobre o caso. O secretário, porém, não compareceu. Durante boa parte do dia, sua assessoria não sabia informar onde ele estava. Maciel permaneceu ''escondido'' no gabinete do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Amaury Bier, durante todo o tempo.
Ao constatar que Maciel não iria comparecer à audiência, o procurador da República no Distrito Federal, Aldenor Moreira de Souza que acompanha o caso a pedido de Pedrosa , chamou a Polícia Federal. A PF lacrou o gabinete do secretário, onde seria realizada a audiência.
Os advogados de Pedrosa e os membros da comissão permaneceram na porta do gabinete até as 16h, quando o Tribunal Regional Federal em Brasília concedeu habeas corpus a Maciel para evitar uma eventual prisão e permitir acesso a seu gabinete.
Além disso, a Advocacia Geral da União conseguiu derrubar liminar concedida pela Justiça do Rio de Janeiro que determinava à comissão de inquérito ouvir todas as testemunhas requeridas por Pedrosa entre elas, o secretário da Receita.
Depois de anunciada a decisão do TRF, o advogado de Maciel, Délio Lins e Silva, divulgou nota afirmando que o secretário não prestou depoimento porque, no mesmo horário da audiência, precisava comparecer à reunião do Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária).
Maciel disse que não compareceu ao encontro do Confaz para evitar ''constrangimentos'' impostos pela presença da PF em seu gabinete. No final da tarde, Maciel retornou a seu gabinete e voltou a trabalhar normalmente.

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