Maciel promete facilitar exportações
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sexta-feira, 05 de março de 1999
Guto Rocha 
O vice-presidente da República, Marco Maciel (PFL) disse ontem em Londrina que o governo federal vai fazer todos os esforços para conseguir uma mudança no cenário do comércio exterior que prejudica a produção agropecuária nacional. Precisamos melhorar o acesso dos produtos brasileiros ao mercado externo, derrubando barreiras alfandegárias que tiram a competitividade dos produtos agrícolas brasileiros, afirmou Maciel. O vice-presidente esteve em Londrina para participar do Seminário sobre Agronegócio promovido pela Sociedade Rural do Paraná, no Parque de Exposições Ney Braga.
Segundo Maciel, o governo terá duas oportunidades para tentar reverter as imposições dos países importadores. A primeira será em meados deste ano quando acontece encontro entre os países do Mercosul e a União Européia, e depois, no final de 99, durante a rodada do século com a Organização Mundial do Comércio (OMC). Não será uma tarefa fácil, pois a União Européia mantém uma postura dominadora quanto a abertura de mercado, afirmou.
Verticalização O governador Jaime Lerner (PFL) disse que o Estado precisa se concentrar cada vez mais na produção agropecuária, mas buscando agregar valores. Precisamos promover a transformação da produção, e não exportar matéria-prima, afirmou. Lerner afirmou o Estado já está se preparando para este novo cenário com a criação da Fábrica do Agricultor e do Banco do Emprego. Esta será uma forma de garantir uma segunda fonte de renda para o produtor, comentou. O prefeito Antonio Belinati disse em seu discursos que o setor agropecuário tem grande capacidade para criação de emprego. Ele observou que hoje o setor emprega 7,2 milhões de trabalhadores.
O presidente da Sociedade Rural do Paraná, Francisco Galli, destacou a importância do Paraná como líder na produção nacional de grãos, mas aproveitou a presença do vice-presidente para cobrar redução nas taxas de juros para o setor. É preciso coabitar as taxas de juros escorchantes com a produção, que enfrenta dificuldades de crescimento, disse. Galli também pediu paz para trabalhar, se referindo às invasões de terras. Não podemos nos submeter a esta horda de invasores que querem desestabilizar a produção e o governo, afirmou em seu discurso.
O ministro da Agricultura, Francisco Turra, que era esperado para o seminário não pode comparecer por estar participando no mesmo momento da abertura da colheita da safra junto com o presidente da República, Fernando Henrique Cardoso (leia matéria na página 1 deste caderno). Turra foi representado pelo presidente da Embrapa, Alberto Duque Portugal, que disse que a sociedade precisa ter uma visão mais ampla da agropecuária. A agricultura tem papel estratégico no desenvolvimento do País, e precisa ser valorizada pela sociedade urbanizada, afirmou.
O vice-presidente se comprometeu a levar todas as reivindicações e problemas do setor levantado durante o evento para o presidente Cardoso. Segundo Galli, a Sociedade Rural do Paraná vai elaborar um documento sobre o que foi tratado no seminário para enviar ao presidente da República.


