O vice-presidente da República, Marco Maciel (PFL) disse ontem em Londrina que o governo federal vai fazer todos os esforços para conseguir uma mudança no cenário do comércio exterior que prejudica a produção agropecuária nacional. ‘‘Precisamos melhorar o acesso dos produtos brasileiros ao mercado externo, derrubando barreiras alfandegárias que tiram a competitividade dos produtos agrícolas brasileiros’’, afirmou Maciel. O vice-presidente esteve em Londrina para participar do ‘‘Seminário sobre Agronegócio’’ promovido pela Sociedade Rural do Paraná, no Parque de Exposições Ney Braga.
Segundo Maciel, o governo terá duas oportunidades para tentar reverter as imposições dos países importadores. A primeira será em meados deste ano quando acontece encontro entre os países do Mercosul e a União Européia, e depois, no final de 99, durante a rodada do ‘‘século’’ com a Organização Mundial do Comércio (OMC). ‘‘Não será uma tarefa fácil, pois a União Européia mantém uma postura dominadora quanto a abertura de mercado’’, afirmou.
Verticalização O governador Jaime Lerner (PFL) disse que o Estado precisa se concentrar cada vez mais na produção agropecuária, mas buscando agregar valores. ‘‘Precisamos promover a transformação da produção, e não exportar matéria-prima’’, afirmou. Lerner afirmou o Estado já está se preparando para este novo cenário com a criação da Fábrica do Agricultor e do Banco do Emprego. ‘‘Esta será uma forma de garantir uma segunda fonte de renda para o produtor’’, comentou. O prefeito Antonio Belinati disse em seu discursos que o setor agropecuário tem grande capacidade para criação de emprego. Ele observou que hoje o setor emprega 7,2 milhões de trabalhadores.
O presidente da Sociedade Rural do Paraná, Francisco Galli, destacou a importância do Paraná como líder na produção nacional de grãos, mas aproveitou a presença do vice-presidente para cobrar redução nas taxas de juros para o setor. ‘‘É preciso coabitar as taxas de juros escorchantes com a produção, que enfrenta dificuldades de crescimento’’, disse. Galli também pediu ‘‘paz para trabalhar’’, se referindo às invasões de terras. ‘‘Não podemos nos submeter a esta horda de invasores que querem desestabilizar a produção e o governo’’, afirmou em seu discurso.
O ministro da Agricultura, Francisco Turra, que era esperado para o seminário não pode comparecer por estar participando no mesmo momento da abertura da colheita da safra junto com o presidente da República, Fernando Henrique Cardoso (leia matéria na página 1 deste caderno). Turra foi representado pelo presidente da Embrapa, Alberto Duque Portugal, que disse que a sociedade precisa ter uma visão mais ampla da agropecuária. ‘‘A agricultura tem papel estratégico no desenvolvimento do País, e precisa ser valorizada pela sociedade urbanizada’’, afirmou.
O vice-presidente se comprometeu a levar todas as reivindicações e problemas do setor levantado durante o evento para o presidente Cardoso. Segundo Galli, a Sociedade Rural do Paraná vai elaborar um documento sobre o que foi tratado no seminário para enviar ao presidente da República.

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