Maciel apóia extensão do ramal à região
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terça-feira, 18 de agosto de 1998
Cláudia Lopes 
O vice-presidente da República, Marco Maciel (PFL), demonstrou seu apoio à extensão de um ramal do gasoduto Bolívia-Brasil até Londrina ontem, em Brasília, durante audiência com o prefeito Antonio Belinati (PDT). Ele prometeu falar com o presidente Fernando Henrique Cardoso e com o ministro das Minas e Energia, Raimundo Brito, sobre a importância do gás atender o Norte do Paraná, afirma o prefeito. Maciel deverá participar de um simpósio sobre gasoduto no próximo mês em Londrina.
Na audiência, Maciel foi cordial e se mostrou bastante receptivo. Ficamos animados, afirma Belinati, que foi a Brasília acompanhado do presidente da Cohab, Wilson Mandelli. Ontem, também fomos à Caixa Econômica Federal tratar da rolagem da dívida da Cohab.
Belinati conversou com Maciel sobre o pedido de financiamento da indústria de pneus coreana Kumho, que tramita no BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - há um ano. Pedimos a agilização da apreciação do banco, conta. A Kumho, que assinou protocolo de intenções para implantar uma fábrica em Londrina em novembro passado, está pleiteando um empréstimo de R$ 130 milhões.
O assessor da Companhia Paranaense de Gás (Compagás), Jorge Olímpio Cruz, inicia hoje um estudo para levantar a demanda de gás natural em Londrina. Ele visitará pelos menos 15 empresas âncoras - com potencial para tornarem-se grandes consumidoras de gás natural. O levantamento deve ficar pronto até a próxima semana.
O presidente da Compagás, Luiz Roberto Bruel, adiantou à Folha na semana passada que Londrina não deve ter demanda de gás mínima que justifique a extensão de um ramal do gasoduto até a região. Segundo ele, o resultado do estudo deverá apontar um consumo na região entre 150 mil metros cúbicos/dia e 250 mil metros cúbicos/dia. A demanda necessária varia de 1 milhão de metros cúbicos/dia a 2 milhões de metros cúbicos/dia. A solução seria a implantação de uma usina termoelétrica na região, que viabilizaria o ramal, segundo Bruel.
Apesar do gás natural também poder ser utilizado em residências, em substituição ao gás de cozinha (GLP), Bruel disse à Folha ontem que a demanda do produto não pode ser considerada para alavancar o duto por causa do alto custo de implantação das redes de distribuição. A substituição do GLP por gás natural em todas as residências não é viável economicamente porque o usuário consome pouco gás e a rede é muito cara, afirma.
Ele não descarta, porém, a possibilidade de que algumas residências próximas às redes de distribuição industrial sejam atendidas caso Londrina consiga o ramal. Bruel participa amanhã, na Argentina, de uma reunião para estudar a possibilidade de implantação de outro gasoduto.


