Macarrão: preços estáveis, consumo em queda
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sábado, 16 de julho de 2005
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
Embora o preço do macarrão esteja estável há praticamente dois anos, o mercado consumidor não está reagindo bem ao produto. O saco de meio quilo de macarrão, de massa comum, varia entre R$ 1,20 e R$ 1,50 nos supermercados. Mesmo com a redução da área plantada de trigo no Brasil, não há qualquer tendência de alta no preço do produto. No ano passado, cada brasileiro comeu, em média, 5,5 quilos de macarrão por ano. Essa quantidade é menor do que a consumida em 98, quando a média ficou em 6,1 quilos.
Segundo Eliane Kay, diretora-presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Massas (Abima), em 98 o consumo de macarrão foi maior devido a um programa do governo federal que distribuía cestas básicas às famílias carentes. ''Depois deste período, foi instituído o cartão e cada beneficiado pode esco lher os produtos das suas compras'', diz. No entanto, ela acrescenta que o macarrão compõe a cesta básica dos brasileiros e é muito usado no preparo da merenda escolar devido à sua alta aceitação entre as crianças.
Outro fator que influenciou no consumo do macarrão foi o preço do arroz. No ano passado, a safra do grão cresceu e o governo ainda isentou o produto do pagamento da PIS e Cofins. ''Diante disso, o arroz chegou às gôndolas dos supermercados em condições muito favoráveis ao seu consumo e o arroz faz parte do hábito alimentar do brasileiro. A nossa cultura determina que o grão seja um prato obrigatório do cardápio'', explica.
A Indústria Selmi, detentora das marcas Galo e Renata, de Londrina, está mantendo os seus preços porque conseguiu reduzir o custo de produção. ''A cotação das matérias-primas e das tarifas básicas subiu. O preço do macarrão não acompanhou as oscilações do preço do trigo porque o mercado interno não suporta muitos aumentos'', comenta Benedito Rolim, gerente comercial da Selmi. A sua expectativa é que os preços sofram um reajuste a partir deste segundo semestre.
''O preço do trigo estava muito baixo e, por isso, a área plantada foi reduzida. Acreditamos que devido a esse fator, o custo vai subir'', avalia o gerente comercial. A indústria vem crescendo a um patamar de 18% ao ano no Paraná e 20% no restante do País. ''O consumo não aumentou, conseguimos isso devido à conquista de mercado'', afirma. Segundo ele, a Selmi é líder do mercado nacional com a marca Galo e tem 11% do mercado interno.


