Albari RosaCesta inflacionadaMacarrão subiu 39% desde 1994: projeção do Dieese aponta alta em quase todos os itens básicos da alimentação do trabalhador. Moacir Moura, da Apras (abaixo) diz que o símbolo do Real não foi o frango, mas o dólarUm dos primeiros produtos que foram remarcados nos supermercados e no comércio em geral foi o macarrão. O reajuste varia conforme o fornecedor do produto, mas, sem exceção, todas as marcas estão ou vão ficar mais caras, estimam os representantes da indústria de massas. Desde que houve a desvalorização do real, os fabricantes de massas têm feito reuniões para avaliar o impacto sobre o custo da produção. ‘‘Teremos de repassar 25% para o preço’’, afirmou o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Massas Alimentícias, Aluísio Quintanilha.
Ele afirma que a farinha de trigo teve um aumento médio de 45%, por causa da importação do produto. Hoje, 80% do trigo consumido pela indústria brasileira vém da Argentina, sendo que a farinha de trigo corresponde a 50% do preço final de um pacote de macarrão.
Com uma produção insuficiente de trigo e com a baixa qualidade do produto, as indústrias vão continuar a importar. ‘‘Além de termos uma produção pequena, ela já está toda comprometida’’, diz Quintanilha. O trigo nacional é, basicamente, utilizado para a indústria da panificação.
Mesmo com o encarecimento da matéria-prima, o presidente da Abima diz que a situação não é alarmante, pois o produto chegará à mesa do consumidor 10 ou 20 centavos mais caro. Hoje, um quilo de macarrão custa em média R$ 1,50 e alimenta 10 pessoas.
No ano passado, houve um recuo de 8% no preço do macarrão. A indústria produziu mais de mil toneladas de massas, o que representou um acréscimo de 15% em relação a 97. O faturamento do setor foi de R$ 1,5 bilhão.
Paulo Hermann, diretor de marketing do Pastifício Selmi - líder do segmento - lembra que o macarrão continua sendo o produto alimentício de menor valor agregado. Ele entende que a indústria que mantiver as tabelas antigas terá problemas financeiros lá na frente. Mas os reajustes vão variar de acordo com o mix de cada empresa, observa Aluísio Quintanilha, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Massas (Abima).
No ano passado, as 200 indústrias do setor produziram 920 mil toneladas de massas. ‘‘As vendas cresceram 19,5% em 1998’’, afirma Quintanilha. A Selmi fechou o ano com crescimento de 10% e faturou R$ 106,4 milhões. Com capacidade para 85 mil toneladas de massas secas/ano, a empresa responde por 8% do consumo no País. (Carmem Murara e Agência Estado)

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