Macarrão ficará mais caro nos próximos dias
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segunda-feira, 26 de abril de 2004
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
A alta de 20% do trigo no mercado internacional vai refletir no preço das massas e outros derivados. Informação divulgada pela Associação Brasileira das Massas Alimentícias (Abima) revela que o macarrão e demais produtos fabricados a partir da matéria-prima serão reajustados em até 8%, nos próximos dias, nas gôndolas dos supermercados brasileiros.
Até o final de março o preço da tonelada de trigo nacional era cerca de R$ 460,00, dependendo da região do País. Hoje, essa mesma tonelada de trigo está sendo comercializada por R$ 550,00. Segundo a presidente da associação, Eliane Kay, os custos com embalagens, transporte, energia elétrica e logística, entre outros insumos, também pressionam o preço dos alimentos.
Apesar do aumento certo, as indústrias do setor não temem desaquecimento no consumo. Para Kay, o reajuste do salário mínimo vai melhorar o poder de compra da população. ''Deve haver uma pequena retração logo após o aumento, mas a tendência é de recuperação das vendas'', disse, lembrando que o macarrão continua sendo um dos alimentos mais baratos da cesta básica.
Além da alta no mercado internacional, a entressafra da produção no Brasil e na Argentina é outro fator que influencia a cotação. No Paraná, 95% do trigo produzido na safra passada já foi comercializado, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab).
A estimativa do Deral é que os produtores paranaenses cultivem 1,29 milhão de hectares. A área é 6% maior que os 1,2 milhão plantados na safra anterior. A produção deve ser de 3,14 milhões de toneladas, volume que supera os resultados do ano passado em 4,5%. Até a semana passada, 14% das lavouras já tinham sido plantadas.
A engenheira agrônoma Vera da Rocha Zardo, do Deral, comentou que a previsão inicial era de redução na área cultivada no Paraná. Os produtores, segundo ela, estariam desestimulados pelas dificuldades enfrentadas na comercialização da safra passada, que resultaram inclusive na primeira exportação brasileira de trigo. A estiagem, entretanto, atrapalhou o plantio do milho safrinha, que disputa com o trigo as áreas de inverno. Por isso, muitos produtores acabaram optando pelo trigo na última hora.
A presidente da Abima comentou que as indústrias de alimentos derivados do trigo mantém, para este ano, o compromisso de consumir os grãos produzidos pelos triticultores brasileiros. Ela justificou que os problemas na comercialização resultaram da concentração da colheita em um único período. ''Houve excesso de oferta porque a produção fica disponível de uma só vez e os moinhos fazem suas compras gradativamente'', afirmou.
Outro problema que interfere no consumo do trigo brasileiro é a logística. ''O trigo do Sul não chega ao Nordeste com preços competitivos. Para as indústrias nordestinas, é mais barato importar da Argentina'', disse. O Brasil consome 10 milhões de toneladas e produziu, no ano passado, 5,8 milhões de toneladas do produto.


