Macarrão ficará até 10% mais caro em outubro
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segunda-feira, 25 de setembro de 2006
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Saborear um bom prato de macarrão vai ficar mais caro a partir do próximo mês. A Associação Brasileira das Indústrias de Massas Alimentícias (Abima) informou que o produto deve subir até 10% a partir de outubro. O principal motivo é a redução na safra de trigo que, no Brasil, terá queda de 27,6%, em relação ao ano anterior. A redução da área de plantio foi de 25,03%. A cultura foi prejudicada pela estiagem prolongada e, em seguida, com a geada tardia.
A Argentina, principal fornecedor do Brasil, também enfrentou problemas na safra e, ao que tudo indica, não terá trigo suficiente para atender toda a demanda brasileira, que deve chegar a 7,5 milhões de toneladas. Com isso, o Brasil terá que importar de países que não fazem parte do Mercosul como Estados Unidos e Canadá, o que aumenta custos em função de distância ser maior e também impostos cobrados sobre o trigo.
Canadá, Austrália e Estados Unidos também confirmaram possíveis perdas nas safras locais. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estimou que a produção canadense de trigo ficará 6,5 milhões de toneladas abaixo da safra anterior, que foi de 25 milhões de toneladas.
Todo ano o Brasil costuma importar trigo. Com a queda da safra, a quantidade comprada de fora terá que ser maior. Já sabemos que a Argentina, que também exporta para outros países, não terá a quantia necessária para o Brasil. A opção será importar trigo de países fora do Mercosul, o que vai acarretar um impacto ainda maior no valor cereal e, consequentemente, em seus derivados, como o macarrão'', explica a presidente da Abima, Eliane Kay.
Atualmente, a produção nacional de trigo supre até 40% do consumo anual interno, o restante é importado. ''Comprar trigo fora do Mercosul implica em preços de mercado mais altos, pagamento de Tarifa Externa Comum (TEC), além do adicional de frete da Marinha Mercante'', explica Eliane.
O presidente do Sindicato da Indústria do Trigo no Estado do Paraná, Roland Guth, disse que o trigo subiu 30% para os moinhos no último mês. Segundo ele, os moinhos estão realizando o repasse aos poucos. Até agora, o repasse foi de 10% a 15%. A previsão, diz ele, é que o produto suba ainda mais. No Paraná, a tonelada do produto está cotada a R$ 450 e nos portos da Argentina a US$ 180. ''A safra nova de trigo só começa em dezembro e 75% do custo da farinha é matéria-prima trigo'', disse. O sindicato possui 20 empresas associadas.
Pão - O aumento do trigo ainda não trouxe reflexos para o preço do pão. ''Teremos que esperar para ver quanto o trigo vai subir, para depois falar em aumento de pão'', disse o presidente do Sindicato da Indústria da Panificação e Confeitaria no Estado do Paraná, Joaquim Cancela Gonçalves. Segundo ele, o aumento do trigo ainda não chegou às panificadoras do Estado. O produto é vendido, em média, por R$ 0,25 a unidade no Paraná.


