Curitiba - O Brasil deixa de crescer o equivalente a US$ 15 bilhões ao ano por conta da má gestão da infraestrutura de obras públicas. Esse montante equivale a 1% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. O Paraná responde por 6% desde total. Faltam ainda modais adequados, existem recursos financeiros, mas as obras não acontecem.
''O principal benefício do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) é pensar a longo prazo na infraestrutura, mas o programa ainda é um amontoado de projetos'', disse o presidente do Instituto de Engenharia do Paraná (IEP), Jaime Sunye Neto.
Segundo ele, hoje são investidos apenas 2% do PIB em infraestrutura, o que é considerado um percentual muito baixo. Sunye acredita que faltam técnicos do governo na área e um marco regulatório, que incluiriam regras estáveis e claras.
O IEP coordenou o fórum Projeto País - Governança e Gestão - Desafios da Infraestrutura e Engenharia Brasileira, que encerrou ontem em Curitiba. O encontro teve a participação do Instituto de Engenharia de São Paulo e do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREA). O objetivo foi definir estratégias para melhorar esta situação e entregar aos candidatos à Presidência da República, como proposta para desenvolver o crescimento do país.
Para o coordenador da Congregação Nacional das Entidades Pioneiras da Engenharia (Conepe) e presidente do Instituto de Engenharia de São Paulo, Aluízio de Barros Fagundes, um dos aspectos importantes a serem considerados é o de que o Brasil está emperrado pelos entraves constitucionais e muitas interferências dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário entre si. ''Há promotores, por exemplo, que, em defesa do Executivo, abrem inquéritos civis que não dão em nada e acabam atrapalhando as suas próprias ações'', declarou.
''O tema deste seminário é tudo quanto se precisa discutir para que um dos três candidatos possa conduzir o país, pois a engenharia movimenta algo em torno de 25% da economia brasileira'', disse. Segundo ele, cada cidadão brasileiro demanda investimentos anuais entre US$ 5 mil a US$ 8 mil em infraestrutura. ''Estamos sempre na iminência de grandes apagões, então há que se investir maciçamente em obras'', concluiu.

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